por Daniel André Teixeira'

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Este é dos textos mais difíceis que farei na minha vida. Tudo porque é difícil dizer adeus a algo que me marcou tanto como a caminhada que vocês fizeram e na qual estive ao vosso lado.

Começou para mim no dia 27 de Agosto.
Fui seduzido com um projeto por um amigo, que acreditou que eu seria uma mais valia como vosso treinador e que, como adjunto, teria o efeito necessário para que fossem sempre melhores. Disse que sim, e desde aí nunca duvidei que vocês acabariam no topo da classificação como campeões.

Mais do que criar jogadores e cultura de jogo fizemos para que vocês pudessem moldar a vossa personalidade, com as vossas perguntas, dúvidas e comportamentos. Criamos um grupo unido, alegre, irreverente (ou não fossem miúdos) mas também com a vontade de vencer. Porque isso é formar: moldar para crescer e vencer.

Nunca duvidamos de vocês, porque vocês nunca duvidaram de nós. Quando o mundo apresentava problemas vocês mostravam as soluções dentro de campo. Sentiram a vontade de vencer, quiseram isto mais do que qualquer outros que nos defrontaram. Apesar de tenra idade vocês foram guerreiros e nós generais de uma tropa cheia de talento. O resultado está à vista e vocês são os protagonistas, parabéns pelo campeonato.

Aprendi muito com vocês. Tenho comigo uma camisola assinada por todos no meu aniversário (com uma vitória sobre o Dragon Force nesse mesmo dia) que irei estimar para sempre. Criei palestras para vocês, treinos específicos para que melhorassem a cada sessão e partilhei uma viagem de Natal que decerto ninguém vai esquecer. Foram parte da minha realidade, sofri como um louco a cada jogo, lance e jogada; vibrei com cada golo e vitória que conquistavam. Nesta aventura cheguei a ser "insurrecto" mas também apelidado por adversários como o "melhor adjunto do campeonato". Medalhas que se levam nesta vida, mas acima delas todas é a sensação que tinham quando me chamavam "mister" como acto de respeito.

Como vos disse desde o primeiro dia vocês são os melhores do Mundo e se me posso considerar campeão foi porque vocês tornaram isso possível. Acolheram-me como um de vocês e isso deixa-me orgulhoso, acredito que seja sinal que fiz um bom trabalho.

Não tenho dúvidas que deram tudo o que tinham este ano, nada temos para vos apontar. Não ouviram outras vozes sem ser as nossas e se houve tropeções aí estamos para assumir alguma falha. Cumpriram, desde aquele que fez todos os minutos, até àquele que ajudava a equipa entre espaços. Todos foram importantes e merecem as faixas que ganharam.

Eis que chega ao fim da época. Apesar de ser uma decisão que alguns já tinham conhecimento deixei que isso não chegasse a vocês para que o foco não se perdesse com a notícia. Acredito que cumpri com a palavra com o meu mister e amigo e que o meu trabalho foi bem feito. Tenho de agradecer ao Nun'Alvares a possibilidade de ter feito parte da equipa técnica dos infantis e com isso ter trabalhado e conhecido pessoas que vou estimar mesmo estando longe (Contrato e Nandinho obrigado me tornarem um dos vossos). A cortina caiu e com ela despeço-me do cargo e do clube que me abriu a porta.

O futuro não me diz se o futebol está no horizonte, mas o importante é sair de cabeça erguida e seguir em frente.

Foi uma honra ser vosso treinador.

Obrigado, por tudo.
Até sempre maltinha.


O destino por vezes é tão curioso que nos faz pensar se não faz mesmo sentido que assim seja.
A minha estreia no banco de suplentes num jogo oficial levou-me de volta a casa. Depois de começar esta aventura longe, num clube que gentilmente me abriu as portas e acreditou em mim, eis que o calendário mostra que o primeiro passo me levaria a estar perto de onde moro, num local que conheço bem. Que rica coincidência não é?

Ali estava eu, praticamente a dois quilómetros de casa, a criar o aquecimento para os onze titulares da equipa. Na bancada surgiam amigos juntando-se àqueles que mesmo não podendo lá estar me desejaram boa sorte. Do outro lado estavam os que apelidavam de favoritos, a força maior, os que nos viam como carne para canhão para posterior festejo de conquista fácil. De volta ao balneário juntamos a equipa. Entre palestra e silêncios íamo-nos mentalizando da façanha que queríamos atingir. O tempo de falar tinha terminado, era hora de cumprimentar a malta e entrar em campo.

Chegou o momento em que me sentei e ouvi o apito do árbitro. Já não era mais dali, abdiquei de qualquer orgulho que sentia do lugar onde morava, sentia apenas do espírito imbutido do símbolo do clube que me trouxe até ali, fundido com a crença de que era possível o melhor dos desfechos. Vivi cada lance e cada momento com a máxima intensidade como quem torce por fora pelos miúdos que bravamente eram David na batalha contra Golias. Era mais um, a querer desalmadamente chocar os locais e fazer parte de algo bonito para o clube que me deixou testemunhar tal momento e que veio de longe a sonhar com o triunfo.
Lutaram com tudo o que tiveram e o tempo ia passando mostrando que no futebol o estatuto diz pouco para desespero do tal favorito que não conseguia concretizar. E de repente ... GOLO!! Jogada fantástica que termina com a bola no melhor local. Saltei do banco a gritar em uníssono tanto com os outros treinadores da equipa como os jogadores que se congratulavam pelo feito criado. Estava ali o primeiro toque, a pincelada que mostrava que aquela tarde tinha tudo para ser mágica. Era tempo de contrarelógio mas também de mostrar o poder combativo que deixava claro que o golo não tinha caído do céu. Seguiram-se momentos de ansiedade e algum sofrimento mas sempre com o levantar do banco sempre que a nossa equipa ia rumo à baliza para ampliar a vantagem.
Apito final. Na tarde de 1 de Outubro David derrotou Golias.

Vencemos e que ninguém pense que caiu como um presente sem mérito.
Houve trabalho, entrega, vontade e estudo que levou a isto e é esse conjunto de condições que fez deste triunfo uma medalha. Fomos uma equipa em todos os sentidos. Admito o ego, aquando do estudo para este jogo quando aclamei entre amigos que nesta tarde que a equipa ia ser maior e vencer, mas depois do apito final o orgulho é maior pelos guerreiros que estiveram em campo e tornaram real a minha "profecia". Esta é uma conquista que traz honra, mas que tem de servir de motivação para o que ainda vem aí. Para aqueles que não acreditavam, que já apelidavam de jogo de "saco cheio" e que a nossa suposta pequenez era desvantagem fica o resultado, fala por si.

O destino por vezes é tão curioso que nos faz pensar se não faz mesmo sentido que assim seja.
Vencemos em minha "casa", na minha estreia, num terreno que conheço bem ... e não podia ter tido melhor sabor.



Duas semanas. Duas longas semanas. E duas semanas separam 10 milhões de 90min. Apelo à razão para fazer estas contas, mas à emoção quando o momento chegar. Portugal está quase a iniciar a sua caminhada no Euro 2016. Infelizmente, olho para 2004 e penso onde andará aquele sentimento que não mais senti desde então…

A 14 de junho, a nossa chama terá de ser suficiente para descongelar o frio da Islândia. No entanto, é com alguma pena que o digo: falta um pouco de Euro 2004 agora em 2016. Os tremoços e as cervejas numa mesinha que separa um grupo de amigos duma televisão de 32 polegadas. As bandeiras em cada janela, criando uma corrente de energias positivas que empurram um país inteiro para a frente. A varanda aberta. O pôr-do-sol durante um prolongamento. O festejo nas ruas como sobremesa, depois duma vitória num qualquer jogo ter servido de prato principal.

Confesso: não sei o que se passou. O futebol modernizou-se e “desclassicizou” os jogadores. Sinto saudades do carisma do Figo, das caneleiras para baixo do Rui Costa, da liderança do Ricardo Carvalho. Até da surpreendente “panenka” do Postiga, da arma secreta Nuno Gomes ou da magia de Deco. Choro mais que Eusébio, após a vitória frente à Inglaterra, quando penso que a industrialização desta arte encheu os jogadores de manias. Vivo bem com a vaidade de Ronaldo, a raça de Pepe ou o espírito altruísta de Moutinho. Mas não são cromos para a minha caderneta da Panini que eu, em criança, trocava na escola. Tampouco me passam a ideia de união, de que eu “convivo” com eles, mesmo estando deste lado da televisão.

Falta entusiasmo. Temos de trazer o “#SomosPortugal” do Facebook para o “Somos Portugal” na rua, de colocar as bandeiras na varanda novamente, de fazer soar gaitas e vuvuzelas! No fundo, talvez nos falte o grito de guerra do “Sargentão” Scolari, para abanar a estrutura na folha de papel do Eng.º Santos. Porque nem sempre o futebol é explicado, mas sim sentido, com convicção o digo: que saudades de Scolari…

Com contas iniciei e com contas terminarei este meu desabafo: será possível, nestas duas semanas que restam, regredir 12 anos para resgatar aquela “Força”, entoada pela Nelly Furtado, e trocar pela canção de embalar do Pedro Abrunhosa? Eu acho que sim.

"NOTAS DE UM KLOPP"


Está quase, sentimos a ânsia. Vamos lá estar mais uma vez. 

Em palcos franceses contamos com os nossos 23 que levam com eles a nossa vontade, esperança e querer vencer. É nestes momentos em que o futebol, por muito supérfluo que possa por vezes ser, cria um sentimento de união que é difícil de explicar.

Já passou o tempo de comentar decisões e convocatória, quando a bola rolar aqueles são os nossos para o que der e vier. Juntos e com os olhos nas TVs vamos vibrar a cada bola dividida, a cada remate que ressalte num poste ou num adversário e gritaremos com os golos que esperamos dos nossos artistas. Contamos com vocês, acreditem que levam com vocês um país que desde 2004 tem vindo a acreditar que podemos trazer o caneco e reinar na Europa. 

Mesmo que desconfiados não tenho dúvidas. De novo, como um reacender inato quando realmente gostamos, vamos encher restaurantes, esplanadas, parques, vamos munir-nos de amendoins, tremoços e aquela cerveja fresquinha que dá o combustível para que nunca nos deixemos ir abaixo. Vamos juntar os amigos e criar estádios em salas de estar e querer cantar o hino antes da bola rolar. Nós não vamos deixar de estar com vocês, só queremos a reciprocidade e a mesma fome pela vitória vinda dos relvados franceses que pisarem.

Somos um país que teima em sonhar. Somos alma, sofredora e trabalhadora e queremos espírito de conquista. Sofremos por vocês quando em 2014 vimos uma sombra do que podíamos ser num momento em que o Mundo olhava para aquilo que fomos incapazes de fazer. A Selecção é muito o espelho do que somos: um misto de experiência e juventude que junta assim a tarimba que muitos possuem com a irreverência que outros estão ansiosos por mostrar (para não falar de um tal de Cristiano Ronaldo que ostenta no braço a capitania desta nação em campo).

Está quase, sentimos a proximidade do momento.
Estaremos com vocês, ganhem por nós.

Daniel André Teixeira, ContraPonto

Lembro-me de há dois anos atrás ter escrito um texto de semelhante identidade, para um site de futebol, olhando para uma mesma imagem. Sinto-me em pleno deja-vu.

Esta tarde o Benfica sagrou-se pela terceira vez consecutiva campeão nacional. Deixando essa comichão clubística de parte e que poderia facilmente trazer travos na boca, ou até falar do jogo da mala (que pelos vistos vai acumular para a próxima temporada), vou apenas focar-me na situação que os portistas estão a atravessar neste momento e que nos é estranha: Pelo terceiro ano não alcançamos o maior lugar do pódio.

Hoje, para quem vive o futebol e se sente portista, foi um dia ingrato.
Vencemos a última etapa ontem, logo de manhã para parecer fresco, e no dia das decisões vimos que o caneco de um modo ou de outro não sairia de Lisboa. Mais uma vez aquela corrida não foi nossa. Ao invés de atacarmos quem a percorreu e saiu vitorioso (para não falarmos também das picardias lisboetas com Jesus pelo meio), é necessário olhar para dentro e questionar se é este cenário que se vai compôr no Marquês dentro de algumas horas aquele que queremos ver no próximo ano.

Voltamos a ser suaves, pequenos na ambição, casmurros no ideal e no fim saímos no terceiro posto. Tivemos deslumbres espanhóis, um tiki-taka sem remates, estrelas sem talento para os momentos de decisão e uma passadeira em forma de defesa. Por entre pequenos encantos em vitórias em palcos importantes, o desalento e falta de querer custou-nos caro. Falhamos redondamente um ano que supostamente seria de revolução. Acabamos esta maratona com a ideia que muito está mal e que essa tal vontade de revolucionar terá de ser uma necessidade a fomentar no próximo ano.

Mesmo que ainda tenhamos uma final (imperial) para ganhar, é este o momento que temos de focar. Sou da ideia que devemos olhar para o sucesso dos outros. É olhando para o que eles fazem, perante a nossa inércia, que podemos ir buscar motivação para mostrar que somos capazes de ser melhores e estar à altura da situação (à imagem do que André Villas Boas fez no FC Porto). Nunca apelando à agressividade ou à resposta menos elegante, mas com trabalho e vontade em campo. No próximo ano tem que ser diferente: Toquem no que for necessário, mas que possamos olhar para a TV (ou ver no estádio) onze indivíduos a viver a camisola azul que ostentam. Que se dispense quem não quer, que se venda quem não sente e que se tragam aqueles que querem dar tudo pelas conquistas e vitória final.

Parabéns ao Benfica pelo campeonato amealhado e congratulações ao Sporting pelo photo finish. Mas esqueçam as ilusões de um Porto apagado. Este é um deja-vu que não queremos repetir.




O mundo tem o condão de retocar certas realidades. Não pára de girar e de criar novos elementos que fazem mudar a visão de coisas que estão connosco desde que nos lembramos.

O futebol é um exemplo. Outrora olhávamos para o futebol como uma essência que não seria possível retirar. Era algo simples mas bonito, admirado por massas e alvo de atenção pela magia que trazia. Era ciência entre linhas, com mágicos a criar tácticas à frente de um banco e uns deuses de chuteiras calçadas a deslumbrar com uma bola nos pés. Cérebros, guerreiros e fantasistas: A alma de um futebol de perdição.

A realidade agora é outra. As fartas cabeleiras foram trocadas por cortes mais refinados, a bola de trapos é agora mais aerodinâmica e com outra fibra, os equipamentos agora são menos garridos e fora de tamanho onde as marcas apostam tudo para se mostrarem dentro de campo e apelar ao conforto e os génios do banco agora já vestem com outra classe onde até o mais básico fato de treino pode equipar a um fato vistoso do outro lado. Se isto é errado? Não, não é isto que condena o espectáculo na sua base, mas sim o que vigora atrás disto, os seus bastidores.

O futebol agora é mais apelativo atrás da cortina, nos gabinetes e reuniões. São senhores que pouco têm a ver com o desporto que estão detrás de jogatanas financeiras, que movem jogadores com valores astronómicos para seu interesse pessoal mesmo que esses jogadores não sejam uma mais valia para o destino traçado, que criam eventos megalómanos sem que isso tenha apreço para o desporto, exercem o seu poder para que sejam tomadas decisões como desejam, que desviam fundos para as suas contas desrespeitando toda uma história que o futebol criou.

Vivemos num tempo em que a alegria e o talento de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi seguem as pisadas de lendas de outrora que encantavam bancadas, em que Mourinho, Guardiola e Klopp são cérebros como senhores de outras décadas, em que equipas como o Barcelona faz parecer o futebol em algo geométrico e fácil de executar.
Infelizmente é o mesmo tempo em que escândalos de corrupção fazem capas mais depressa, onde os órgãos máximos não são de confiar, onde há suspeição em convocatórias, nomeações e eventos criando uma nuvem cinzenta sobre um desporto onde a essência bastava para ser notícia.


Não há solução aparente e rápida para este cancro do futebol. Dizem as mentes brilhantes que devemos focar-nos nos pontos bonitos e altos que o futebol nos traz como aquele penalti defendido e cria desespero e apoteose ao mesmo tempo, aquele frio na barriga ao ver a equipa que apoiamos a entrar em campo … talvez seja a solução para tapar alguns olhos, mas no fundo todos queremos é aquele futebol de perdição que fez criar esta nossa paixão por este desporto.