por Daniel André Teixeira'

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Os homens pensavam que ele tinha o emprego de uma vida.
Noite após noite elas desfilavam ao lado dele, trocando de quarto e de cliente, num qualquer local de divertimento nocturno. Com ou sem roupa, entre banhos e trocas de roupa rápidas porque a noite corre e o tempo não pára os olhos dele eram a sombra delas. Um negócio que ele geria e conhecia como a palma da mão.

Homem de poucas palavras, nunca foi visto sem o seu fato de alta costura italiana e sem o seu whisky com duas pedras sempre perto. O telemóvel vibrava constantemente porque o "mundo não pára de rodar" e o seu olhar era de constante atenção ao que o rodeava. Nada lhe escava, e nem podia ser de outra maneira. Tranquilamente se movia entre lounges e quartos onde tudo acontecia, sempre mudo mas com a figura de autoridade que quem era cliente sabia que devia respeitar.

Não tinha amigos, se os tinha nem se manifestavam.
Fugia a isso de afinidades ou afectos, desengane-se quem pensava que ao lhe pagar a rodada ou a conta fazia dessa pessoa um amigo. Era apenas mais um a querer um favor, uma entrada sem pagar ou um par de bebidas por conta da casa. Sempre foi assim, alguém a querer ser alguém à conta do patrão num mundo difícil. Não se deixava enganar com truques fáceis.
Não se deixa levar pela beleza da noite. Tanta mulher bonita podia ser a tentação perfeita para um coração de pedra ceder, mas mesmo estando de perto com tamanho poder de sedução ele não se deixa levar. Talvez todos estes anos de "negócio" lhe tenham criado o entrave de se poder apaixonar e deixar uma mulher cair neste mundo.

As chatices daquelas noites mais atribuladas não o faziam suar. Caso alguém fosse mais longe do que devia era uma questão de estalar os dedos que prontamente dois senhores bem constituídos entravam em acção retirando o senhor de dentro do quarto (a bem ou a mal) e mostravam-lhe a porta de saída mesmo que ainda não estivesse "apresentável" para estar nos passeios da cidade ... pequenos retoques na normalidade de uma noite no seu estabelecimento. 

A noite está próxima do seu fim e de repente desapareceu. É o primeiro a sair do local ainda com alguns clientes no salão e com o seu STAFF pronto para arrancar as limpezas e arrumar os copos e garrafas das mesas. Quando as mulheres saem já só vêem o lugar de estacionamento vazio porque o chefe não espera por ninguém. Aquele dia tinha terminado, amanhã lá voltará para pedir o seu whisky para mais uma "noite de negócios" ...






Noite cerrada num qualquer recôndito da cidade.
As luzes são apelativas, a chamar aquele saciar da fome que o tempo diurno não cobre. 

Um portentoso indivíduo impõe-se à porta, perante aquele que quer entrar e a porta que serve de obstáculo à noite que deseja. Passado essa paragem com uma nota no bolso era tempo de abrir a porta. A noite começa.

A sala não cria divisões, não discrimina, não julga. Nas mesmas cadeiras revestidas de seda vermelha com mesa redonda encontra-se um mundo conjugado numa divisão. Do banqueiro bem vestido, ao homem de família comum e o jovem mundano que anseia por viver esta vida. Todos com a ideia de saborear aquela noite como deve ser, sem os olhares da sociedade como julgamento de carácter. O barman prepara as bebidas, a companhia que suavizava o ambiente das mesas que se iam preenchendo em pouco tempo. De repente surge o fumo vindo do palco despido, criando o suspense ... o espectáculo iria começar.

Ela entra e é como se o tempo parasse pois muitos estavam lá por ela. Música que puxa o toque, a imaginação, enquanto ela de trajes menores hipnotiza o público com a dança. Tudo real, tudo como se fosse palpável, passível de poder ser de qualquer um ali presente. Em cada batida da música o movimento que deixa louco quem a observa. Porque se calhar aquele banqueiro tem o dinheiro mas só ali sente algum afecto no meio das notas que atira enquanto ela dança, porque aquele homem de família perdeu o encanto pela esposa  e preenche o vazio em vê-la dançar e aquele simples rapaz criou um cenário de amor idílico com a sensualidade que ela cria naquele momento. Uma dança, um erotismo criado para uma sala mas vivido de maneira diferente por todos. Seja como for ela mexe com todo o ambiente. São quase dez minutos que unem a sensualidade, o desejo carnal e o espectáculo numa união que não se explica, apenas se sente. A mulher como centro de um universo concentrado. Um poder em cima de um palco que mesmo com todas as notas atiradas em direcção a ela não conseguem pagar.

Eis que acaba. Os aplausos são a prova que mais uma noite está prestes a terminar, ou não saísse ela do palco. Mesmo com as rotineiras juras de amor dos mais embevecidos por mais uma noite de glamour que rompem a segurança ela fixa os olhos na cortina de volta ao camarim. Para ela não é uma questão de encontrar o amor como muitos ali, é estritamente um negócio, um trabalho. Enquanto eles ainda ficarão no salão ela lá tomará o seu banho, receber o seu envelope por mais uma noite de magia e sair pela porta das traseiras colocando um visto em mais uma noite terminada.
 
As portas já estão perto de fechar. Os sobreviventes tentam regatear por mais um copo ao balcão enquanto são "convidados" a sair pelos seguranças ao mesmo tempo que os empregados limpam a sala. Devagarinho tudo volta ao lugar, cada cadeira no seu sítio, cada toalha limpa colocada nas mesas redondas para a noite seguinte. E em menos de nada, as portas fecham. Mais uma noite terminada.

Haverá mais, numa outra noite cerrada, num qualquer recôndito da cidade.




"Olha para as páginas em branco à tua frente com coragem. Agora enche-as com beleza."
Blaine Hogan


Todos aqueles que se idealizam nas palavras que escrevem, seja num simples pedaço de papel ou numa tela de ecrã sabe que é assim que tudo começa sempre: em branco.

É sempre aquela aventura sem fim anunciado porque mesmo que a tua mente tenha criado antes das tuas mãos concretizarem há sempre uma mudança de direcção que cria um toque que não era esperado. Seja porque aquela história de vida que retrata tem afinal mais pormenores de relevância, ou aquele herói de capa (ou sem ela) tem afinal um poder que muda o cenário e salva o dia, ou quando consegues dar aquele toque mais dramático e cru a uma qualquer história sombria que imaginaste num vislumbre de consciência.

Ter uma página em branco à frente é a oportunidade para criar, ou recriar. Para fazer diferente ou emular o que vimos antes, a chance de passar uma mensagem ou de reforçar uma que já o Mundo defende. Toque pessoal ou simplesmente mundano a página não te vai criticar ou julgar, apenas é o teu espaço para te expressares.

Uma palavra impressa ou simplesmente escrita num qualquer canto tem um poder próprio e cabe a cada um ter a responsabilidade para fazer contar essa oportunidade. Há quem procure singrar no mundo difícil das palavras escrevendo livros exibidos nas livrarias para consumo da sociedade, há os outros que em diversas plataformas digitais lá deixam os seus toques com crónicas e artigos só com o lucro de ver mais um pedaço de criatividade ser publicado para (quem sabe) o Mundo ver e outros artistas que vêm outras telas em branco e definem de um modo mais artístico um outro uso para a palavra.

Uma página em branco traz toda uma panóplia de oportunidades e dá a conjuntura neutra para que sejas feliz com o que crias e isso é raro neste Mundo. Aproveita bem todas as folhas em branco que terás nesta vida, porque és tu que escreves os capítulos que se vão seguindo.

O dia estava feito, era hora de voltar.
Noite cerrada, chuva como figura principal.

A cada passo dado o timbre que a chuva impingia fazia com que aqueles pequenos metros fossem uma travessia conturbada.
Esse infortúnio termina e ele encontra conforto no carro, mas é apenas momentâneo: havia uma viagem de regresso a fazer.

Estava claro que o temporal era a companhia de percurso. Era entre os seus devaneios que se arrancava, parava e mudava a velocidade entre os lençóis de água que serviam de piso pouco confiável. Mesmo fazendo dos seus instintos uma arma de segurança a qualquer deslize o controlo da situação estava sempre dependente da intempérie que teimava em ruir dos céus.

O cenário fazia com que o tempo fosse relativo, não porque não passava, mas sim porque todos os sentidos estavam virados para os quilómetros a percorrer. Os mais fiéis parceiros eram as escovas que lá iam mostrando o troço em frente e os pedais que marcavam o ritmo do retorno.

Uma mensagem surgia no telemóvel. A monotonia de um semáforo vermelho faz com que o olhar se centre no pequeno ecrã: "Estou à tua espera". O smile feliz que termina a SMS faz com que sorria e cria um desejo ainda maior de chegar ao destino. A viagem já ia a meio, mas não tinha terminado. Tinha ganho aí mais uma razão para voltar.

Como uma relação duradoura a chuva continuava a pintar a realidade e com cada vez mais intensidade ia caindo. Já perto do fim se via a incapacidade das pessoas que viam o seu guarda-chuva ser insuficiente enquanto que uma marcha de carros tinham bem patente a cor vermelha na sua parte de trás como quem se salvaguarda de qualquer vontade de acelerar.

Último momento de paragem antes de chegar. Apenas alguns metros de alcatrão o separavam de poder estacionar e voltar a casa para um ambiente mais quente. Luz verde, mudança pronta e seguiu para a sua rua. Estaciona com a mestria como quem dançou entre a chuva e desliga o carro pela última vez. 

A querela da viagem tinha terminado.
Ao chegar beijou a sua amada. A tempestade foi companheira, fez com que demorasse e até lhe promete mais "danças", mas não lhe tira o engenho para que volte e continue a ter razões para regressar ao seu lar.

Podia ser como uma outra qualquer viagem de comboio, com início e fim mais que traçado levando a multidão que se juntou entre as carruagens num itinerário mundano e normal, mas não naquela noite.

Já com o escuro exterior embutido e com apenas as luzes da rua flagrantes a aparecerem como flashes entre a velocidade que a viagem pedia ele ali estava. Era a atracção da primeira carruagem. Sereno, sozinho e logo na primeira cadeira. Com ele apenas tinha um saxofone já preparado à sua frente. Apesar de incompleto (faltava a parte superior do sopro para criar o som) isso não foi impedimento para que o rapaz simulasse todas as notas, enquanto tocava nas teclas, ditando a pauta que só o seu cérebro sabia e lhe ditava.

Tocava veemente nas teclas do saxofone enquanto se punha de pé. Em seu redor as atenções estavam mais do que concentradas. Podia pensar-se, quem sabe pela hora ou pelo cansaço de mais um dia, que era apenas mais um louco de rua quanto mais não fosse pelo olhar directo e sério do rapaz que se mantinha focado na melodia silenciosa que criava.
Quem sabe se na sua mente não lhe passou o legado de Miles Davis ou John Coltrane e naquela viagem lá lhes fez o tributo à sua maneira.
Quase vinte minutos de "espectáculo" com um auditório improvisado.

A viagem terminou mas o jovem saxofonista não se fez rogado e todos os passos que deu desde a saída do comboio até ao fim da estação foram acompanhados com o toque dos seus dedos nas teclas, a melodia ainda não terminou para ele e era a sua companheira de percurso.

A prova que para se fazer o que se gosta não precisamos de toda a perfeição do momento, apenas o necessário.

Quatro da manhã.
Quarto de Hotel conceituado onde nos corredores reina o silêncio.

Lá fora a chuva cai como cenário calmo, como uma música smooth que cria uma mística que te intranquiliza. Tentas ser mais hábil que a tua consciência, mostrar que está tudo bem e que não entendes o porquê de o sono não te chegar com a naturalidade de outrora. Começas a dança de quem entre lençois roda e volta à posição inicial como quem cria um tango a sós, sabendo que esse nunca funciona.

Aí chega o momento complicado. Tudo te surge: O que fizeste de bem mas que ainda assim não dás mérito, os erros que teimam em te atormentar, as batalhas onde foste fraco e saiste derrotado, as decisões que se fossem de outro modo te mostrariam outro caminho. Lutas contra isso. Saís da cama e procuras as tuas armas, mas nem mesmo aquele licor entre as roupas que trazes na mala num copo meio cheio te saceia a alma nem te traz o peso de uma noite bem dormida. As palavras de insignificância e de revolta enchem-te a cabeça, quase que pedes um recomeço, uma segunda oportunidade de um espontâneo acontecimento onde escorregaste perante a vida, ou onde simplesmente não foste capaz de ser o melhor que podias. 

Olhas para o relógio, já mostra hora de dia "fresco" e pronto a começar, enquanto tu ainda te reviras num encosto que devagar vai vendo a nublina de uma manhã entrar pelas fendas de uma leve persiana. Nem queres acreditar que a garrafa já vai a meio, já riscaste folhas sem nexo e que mesmo assim não venceste uma consciência que te quis bem desperto quando apenas pedias descanso merecido. Já consegues antecipar o toque do despertador, aquele mecanismo que acreditaste que te iria acordar em sobressalto e que só ia servir para pedir mais dez minutos. Desligas, afinal de contas ele esta noite não tem trabalho.

Voltas a levantar-te e procurar um banho que te amoleça o corpo, visto que a alma está ainda a viver a noite cheia de idiossincrasias de uma vida cheia de recordações.
Vestes-te e relembras que vinhas procurar um escape, mas desta janela de quarto de hotel apenas vês gotas de água que caiu sem receio de um céu igualmente sem remorsos. É tempo de voltar a guardar aquela garrafa no meio de umas camisas que afinal já não vais usar por causa das manchas de vinho e aquela camisola velha com a qual ias dormir. A cada passo que dás no corredor tentas ver que aquelas horas, aqueles instantes de falta de controlo têm algo positivo. 

Instantes, devaneios de uma noite qualquer que alguém viveu.

Um som que inquieta os sentidos entre o silêncio de um pensamento.
Um timbre que teimas em querer ouvir sempre.

Mulher de ritmo, segura como uma balada que nos eleva, que nos deixa rendido. Cada palavra parece digna de pauta de uma música que não nos deixa respirar a cada passo que dá. Vai mexer contigo, rolar e acelerar a tua cabeça. Porque foi para isso que foi feita, porque não podia ser de outra maneira.

As curvas do seu corpo são como os instrumentos que dão forma à melodia que jamais vais querer largar. Como quem faz magia nas teclas de um piano, ela vai criar sons que te vão tocar, que te vai fazer sentir parte de uma sinfonia que parece feita para os dois. Queres ser o auditório que aplaude e vibra, queres ser parte daquele misto de sons que se torna intemporal.

Impossível de esquecer, constante na nossa mente.
Figura melódica, sonoridade que só apetece tocar, sentir com os nossos dedos, mas que nos é inatingível, ou não fosse quase divina.

A prova que uma melodia pode ser tudo o que pedimos dela, sem que tenha uma única palavra declamada: Bela, desejável, sedutora, uma utopia para os sentidos de um simples mortal que a ouve e a quer como sua.

Que me dizes em ser a minha melodia esta noite?


E se pudesses desligar a máquina que és?
Dar um tempo sem que tocasses no ritmo, na rotina, nas decisões e imperfeições da tua vida. Uma pausa na tua realidade.

Com o toque num botão podias parar o tempo, respirar e procurar a solução. O mundo parava de girar, hibernavas para poderes trocar o choro por um sorriso, a travessia no deserto por um “walking on sunshine”. Já não tinhas a aflição de uma rotina e passavas a ter o silêncio para reflectir as acções que deixam a cabeça em indefinições constantes.
Tinhas a oportunidade de poderes dar descanso ao teu poderio neste Mundo. Desligavas a torre que alimenta tudo o que és e recarregavas a energia que destilas e que faz de ti algo único em cada acontecimento.

No entanto não existe este escape. Não estamos feitos para essas pausas no tempo. Por isso desligamos de outro modo, de forma mais intimista. Saímos do Mundo sem nunca o abandonar, seja nas quatro paredes do nosso quarto, seja nas horas que passamos com os amigos e que parecem algo à parte, naqueles momentos a dois que congelam o tempo, nas viagens que fazes questão de fazer ou até mesmo quando dás tudo o que tens nos teus hobbies.

É importante que desligues a máquina. Para não a sobrecarregar, para que ela não sobreaqueça, te faça falhar ou tornar-te mais lento. Para que também possas respirar e para que o mundo veja sempre uma versão mais pronta de ti, mais eficaz, mais fiel ao que podes dar ao Mundo.


Desliga-te, para que sejas ainda melhor quando te voltares a ligar.


Vamos ter muitos momentos.

De aconchego e sossego, de calor e fulgor.

Seremos um só enquanto dois corpos, seremos algo intenso num momento só nosso.
Seremos prova de entrega mútua, a vontade inscrita em cada gota de suor ou toque.
Seremos descanso após a batalha da rotina, seremos companhia de arraso da movimentada rotina. Vamos sendo o porto de abrigo um do outro num relance que o mundo desconhece que temos.

Somos sonho acordado, real e palpável.

Criamos o espaço de tempo que faz tudo o resto parar. Nada mais importa senão ter-te ao meu lado, a repousar todo o teu esplendor natural.

Vejo-te como tu és, simples, entre o calmo fechar de olhos de quem dorme e aquele olhar entre a pálpebra como quem vigia se saí do teu lado.

Tornas este momento perfeito, tudo o que podia pedir dele. Ter-te comigo assim faz todo o sentido, faz querer ser mais, faz-me perceber que assim estou completo.

Sei que terás de sair, abandonar-me depois deste nosso ensejo, mas peço-te apenas mais uma coisa antes de te afastares:

Beija-me antes de saíres e serei teu para sempre.



Seguro de si, de olhar com cor forte.
Não abdica da sua boa camisa, do seu casaco clássico para completar o toque de sempre.
O espelho é o amigo de sempre que acompanha a compostura enquanto o perfume é a fragrância que paira.

Não nega as coisas boas da vida.
Aprecia os momentos doces, as tardes de sol, um bom jantar, um bom vinho, uma boa companhia a embelezar o instante.

Diz ter com ele algo que outros não têm, uma mística com as palavras certas para cada ocasião. Faz questão de ser visto, de ser relembrado. Os amigos sabem como ele é, como este seu defeito é bem vincado.

Pertinente, jocoso, bom conversador e de humor fácil. O charme personalizado em cada acção como se alguém o contemplasse. Procura os locais bonitos para que os olhos não contestem, trata as mulheres como outros somente conseguem imaginar.


É figura irreal, fora do contemporâneo e normal, fazendo com que seja ainda mais visível por onde passa. É algo de um mundo exterior, de uma era que não é a nossa.
Bon Vivant não é ser imagem de arrogância ou sobranceria nem reflexo de pompa sem fluxo de consistência. É virtude para que a vida não seja algo que passe ao lado.
Não negues o fato, o laço, a gravata, o sapato e a barba por desfazer. São os traços de alguém com algo a mostrar ao mundo.



Senta-te. 

Pede uma bebida, relaxa a teu bel-prazer e fica confortável.
Deixa o Smoth Jazz ambientar a noite.

Esqueçamos os clichés e falinhas mansas, vamos falar ao sabor do licor.
Fala-me de ti, por detrás dessa maquilhagem que sobressai a tua beleza.

Expõe os medos e virtudes que esse sorriso ostenta e que esse mexer de cabelo faz suspirar.
Não tenhas receio de me questionar, de querer saber de mim, de procurar as pontas soltas.
Põe-me à prova, faz com que seja uma descoberta a dois.

Vamos deixar a noite ser o maestro que cria a música que nos desmistifica.
Não resguardes a vontade de me querer tocar na mão sobre a mesa. Não te surpreendas se eu tiver o mesmo reflexo.

As horas passam mas o tempo parou.
Não queremos mais nada senão esta sensação de toque, de sentir a noite deste modo.
Pode ser que depois deste serão possamos nunca mais nos ver, mas faremos questão que seja algo que nenhum esquecerá.

Vamos viver, afastando a camisa e o vestido, a gravata e o colar de pérolas e ser o desejo em estado puro.

Dentro de algumas horas vamos acordar e saber que valeu a ousadia de te ter pedido para te teres sentado comigo.