por Daniel André Teixeira'




O porto seguro nas marés complicadas.
Traz consigo o silêncio e o sabor que precisamos. A companhia perfeita que não faz perguntas e que parece trazer todas as respostas. O veículo apropriado numa viagem que parece a mais acertada.

Com um gole de licor num simples cálice eis que surge o tal companheiro que melhor aconselha em momentos e noites em que a mente parece bloquear.

Estás sempre por ai. Pronto para te assumires como solução seja num balcão de um bar sempre disposto a ser a tentação servida pronta a seduzir uma cabeça atormentada ou numa prateleira sempre limpo e cristalino apenas aguardando para saber qual o licor que vai dançar contigo aquele tango que tanto tu dominas.

És apenas a ferramenta inocente para a escapatória que o momento pede. É o teu trabalho, a tua função. Depois da tua companhia e toque fica sempre a sensação (ou ilusão) que podes ser a luz da clarividência ou o modo certo para ver o que nos deixa menos bem.

És a saída fácil, todos nós sabemos disso, mas por vezes a complicação de uma vida leva-nos a ti, a ceder ao teu encanto, para a tal viagem que nos teleporta para uma sensação de menor pressão ou tristeza.

Quem abusa da tua companhia sabe que há consequências, porque o amigo fiel a cada gole pode ser aquele que te trai e te faz arrepender. Lida com ele com moderação para que a viagem possa acontecer, mas sem acidentes que te façam penitenciar o momento em que pediste aquele tal cálice como parceiro.



Está sempre contigo.
No teu pensamento, no teu planeamento, na tua linhagem de vida.

É o teu objectivo, aquilo que mais almejas. Aparece como algo camaleónico por todas as suas vertentes, os vários campos onde está pronta a mostrar-te caminhos de sucesso e glória. Tu escolhes o trilho e a meta.

Crias esquemas e fantasias para lá chegares. Imaginas celebrações para quando a conseguires. Antecipas o trajecto, crias as etapas a riscar pelo caminho.
É parte integrante da tua vida. Falhar nunca é opção. Tornas isso a tua querela, o teu único ponto.

Chegar lá teima em muitas vezes não ser fácil, é nesses episódios vividos em que se põe à prova a tua vontade de a desejares verdadeiramente.

E quando a alcanças? Festejas, desde o sorriso simples de dever cumprido ou de orgulho sentido até ao grito de guerra que prestigia a honra de uma etapa conquistada. Não há trofeus supérfluos, porque uma medalha pode ser algo que podes emoldurar ou apenas um frame da tua vida que captas ao veres alguém feliz.

A poeira assenta e ai respiras, para pensares com mais calma e partires para outra, ou não fosse o seu sabor o mais viciante possível. 
Porque se a vida é feita de querelas e guerras, e tudo vale o esforço quando sentires o doce gosto da vitória.




De serena com beleza indomável a tempestade de mil intempéries sem a qual a vida não seria igual.

Charme que conquista, que domina, que faz parar.

O mais suave dos pecados, aquele que te vai sempre deixar tentado.

É afronta sem receio, dona do seu nariz, mas não esconde os momentos em que descai do sério e sorri das palhaçadas que vive.

É rochedo sem quebras, mas que confia sempre no abraço apertado.

Tem efeito matador que nos hipnotiza, que faz com que não tenhamos reacção aos seus encantos.

Traz com ela o amor, incompreendido ou simplesmente louco, que cabe ao mundo compreender e nutrir do melhor modo.

É dança fora do ritmo, é tom sem acordes.

É a poesia em linhas de prosa, é palavra pura em sílabas complicadas.

Mulher é tudo isto e muito mais.
Porque mulher não se caracteriza, apenas se contempla.



Senta-te. 

Pede uma bebida, relaxa a teu bel-prazer e fica confortável.
Deixa o Smoth Jazz ambientar a noite.

Esqueçamos os clichés e falinhas mansas, vamos falar ao sabor do licor.
Fala-me de ti, por detrás dessa maquilhagem que sobressai a tua beleza.

Expõe os medos e virtudes que esse sorriso ostenta e que esse mexer de cabelo faz suspirar.
Não tenhas receio de me questionar, de querer saber de mim, de procurar as pontas soltas.
Põe-me à prova, faz com que seja uma descoberta a dois.

Vamos deixar a noite ser o maestro que cria a música que nos desmistifica.
Não resguardes a vontade de me querer tocar na mão sobre a mesa. Não te surpreendas se eu tiver o mesmo reflexo.

As horas passam mas o tempo parou.
Não queremos mais nada senão esta sensação de toque, de sentir a noite deste modo.
Pode ser que depois deste serão possamos nunca mais nos ver, mas faremos questão que seja algo que nenhum esquecerá.

Vamos viver, afastando a camisa e o vestido, a gravata e o colar de pérolas e ser o desejo em estado puro.

Dentro de algumas horas vamos acordar e saber que valeu a ousadia de te ter pedido para te teres sentado comigo.