por Daniel André Teixeira'


Panamá Papers.
Uma fuga de informação que revela listas de nomes de políticos e outras figuras com poder em todo o mundo que desviaram dinheiro para contas offshores. Era só juntar o nome de José Sócrates à mistura e os jornalistas do Correio da Manhã entravam em êxtase diário com tamanha alegria para o “jornalismo” que fazem.

Sim, é verdade. Há malta poderosa que desvia dinheiro (por vezes público) para seu próprio proveito e esconde em paraísos fiscais. Eu sei, é difícil de acreditar. Quem diria que havia corrupção hein? Aconselho um copo com água com açúcar para poder assimilar a notícia.

Agora esta malta vai sendo descoberta em listas para o Mundo acompanhar. Equivale às convocatórias que há no futebol antes dos Europeus e Mundiais: esperamos sempre os grandes nomes e ficamos desiludidos em não ver outros que também têm o talento para “desviar” e também mereciam lá estar.

Metade de Portugal nem sabia onde era o Panamá (com jeitinho ainda não sabe), mas se há portugueses envolvidos é coisa para chamar a atenção. Nunca tivemos tanta vontade de ver amigos envolvidos num escândalo. Este é daqueles que vale a pena ligar e questionar a malta “olha, por acaso não tens conta lá para os Panamás não?”.

Com a velocidade com que as listas de nomes vão saindo dentro de pouco tempo não estar envolvido vai ser algo difícil de aguentar perante a sociedade. “O Pacheco já está na lista lá da malta do dinheiro. Acho que tinha uns 500 paus lá metidos e lá entrou no sistema. Já falei com a minha velhota e pedi que a mesada fosse já para o Panamá a ver se também sou capa no Expresso”.

Pela primeira vez podes estar numa lista onde apareces por realmente teres dinheiro e não porque te estão a pedir dinheiro.


Panamá Papers: Desviar dinheiro para que se possa aprender geografia para escolher uma boa offshore.

Solitário, mas inteligente.
Belo com a dose certa de ferocidade.

Pelos trilhos dos vales, entre chuva e dias onde o sol impera ele caça solenemente.
Olhar nocturno e audição sempre hábil, capazes de fazer do caminho o seu destino.

É senhor do seu mundo, conquistando presas e passadas enquanto os anos lhe deixam algumas cicatrizes. Não o vemos queixar, é orgulhoso ao ponto de lamber as feridas em silêncio pronto para mais caçadas e deixar clara a sua marca.

Perante a polivalência do mundo ele continua a ser camaleónico e com a força de querer dominar cada sistema. Ágil, rápido, capaz e com uma investida digna de topo de cadeia alimentar. Um monstro dentro da beleza de quem o contempla.

Por entre a dentada sem piedade de quem protege e o orgulho que faz dele solitário por legado há o carinho pelas crias, sangue do seu sangue, onde rapidamente passa a lição da vida que estes jovens predadores têm pela frente.


 Na selva é dos predadores que rezam os maiores legados. A prova que algo selvagem, fixado nos seus princípios, pode conjugar em si a formosura e a fera enquanto cria as suas pisadas. Sozinho e indomesticado, como só ele sabe ser.

Quero ser o teu ódio, o pior que já tiveste.
O teu lado mais negro, o lugar mais obscuro onde só tu sabes como chegar.

Quero ser a tua imperfeição, a tua cólera, o teu rasgo inconstante, um pedaço de estilhaços partidos no chão.

Quero ser a tua perdição, o teu pensamento mais reles, quero ser papel inútil e sem nexo. O pesadelo que a tua mente tende a recriar.

O teu toque errante, o teu rol de erros na vida. A prova que errar é lição que a vida traz como recordação, o alvo de todas as tuas repreensões.

Quero ser tudo isso, mesmo que me doa, mesmo que me condene. Aceito o fardo de ser alguém com todos os defeitos, a personagem mais descabida no teu viver.

Assinarei sempre por baixo todas estas falhas, desde que me ames e não me esqueças por ser mesmo assim. Fica comigo e serás aquilo que sempre foste, a perfeição.
Eu assumo o que assino em cima.


E se pudesses desligar a máquina que és?
Dar um tempo sem que tocasses no ritmo, na rotina, nas decisões e imperfeições da tua vida. Uma pausa na tua realidade.

Com o toque num botão podias parar o tempo, respirar e procurar a solução. O mundo parava de girar, hibernavas para poderes trocar o choro por um sorriso, a travessia no deserto por um “walking on sunshine”. Já não tinhas a aflição de uma rotina e passavas a ter o silêncio para reflectir as acções que deixam a cabeça em indefinições constantes.
Tinhas a oportunidade de poderes dar descanso ao teu poderio neste Mundo. Desligavas a torre que alimenta tudo o que és e recarregavas a energia que destilas e que faz de ti algo único em cada acontecimento.

No entanto não existe este escape. Não estamos feitos para essas pausas no tempo. Por isso desligamos de outro modo, de forma mais intimista. Saímos do Mundo sem nunca o abandonar, seja nas quatro paredes do nosso quarto, seja nas horas que passamos com os amigos e que parecem algo à parte, naqueles momentos a dois que congelam o tempo, nas viagens que fazes questão de fazer ou até mesmo quando dás tudo o que tens nos teus hobbies.

É importante que desligues a máquina. Para não a sobrecarregar, para que ela não sobreaqueça, te faça falhar ou tornar-te mais lento. Para que também possas respirar e para que o mundo veja sempre uma versão mais pronta de ti, mais eficaz, mais fiel ao que podes dar ao Mundo.


Desliga-te, para que sejas ainda melhor quando te voltares a ligar.


Começa sempre com uma página em branco.

O propósito é dar-lhe vida, um sentido, enchendo-a daquelas pequenas luzes que apelidamos de palavras.

Aí surge a responsabilidade. Como fazê-lo? Sendo ágil, astuto, feroz, cabal ou apenas descontraído com as letras? Escrever algo está longe de ser fácil e passível de ser rápido.

Nesse pedaço de papel podemos ser veículo de emoções, peças de teatro que a vida nos espelha, retrato de testemunhos ou criadores de fantasias e utopias que nos enchem a mente.

Podemos ter a arte e o engenho ou deixar a desarrumação das ideias tomar conta das letras. Temos o luxo de transmitir alegria e emoção, ou transparecer a tristeza de quem vê na escrita o modo de deixar sair a mágoa.

Tudo isto num pedaço de papel, que começou em branco.