por Daniel André Teixeira'


Como os brasileiros dizem, “deixa pra lá”.

Esquece o trânsito, as horas de espera. O tempo de desassossego e a caminhada rotineira. Deixa de penar as horas de sono mal dormidas, as companhias mais escolhidas, os problemas de uma viagem diária que teima em assumir traços semelhantes a cada dia.

Esquece os dilemas, os problemas, as querelas e os conflitos. A falta de fome e o remoer de estomago, as preocupações que te tiram do sério. Põe de lado as pressões, os números e os avisos de cima, aqueles momentos de respiração funda de como quem só quer que aquilo termine.

Dá um descanso à tua mente e deixa passar os “nãos” que as 24h de cada dia te possam querer dar, entre as voltas que o teu cérebro vai querer dar por opções menos válidas e decisões menos correctas e que também não podem ter peso.


Tudo isto fica para depois, porque agora tudo pára.
Fica para depois porque estou contigo.


Serei o tal, aquele que te completa.

Que te vai irritar e fazer com que adores a sensação.

O toque que te reconforta, o momento ideal em forma humana, o pedaço de ti em corpo diferente que nunca vais dispensar.

Teu canto, teu desabafo, teu traço misto de emoções.

Aquele que te conforta, que não te negará os deleites que pedires e que te faz sentir como sempre quiseste que fosse.

Companheiro de toda a dança de uma vida, solo musical se fores o auditório pronto para aplaudir ao teu ímpeto.

Serei teu prazer, tua garra, teu orgulho, teu porto seguro.

Confia em mim.

Panamá Papers.
Uma fuga de informação que revela listas de nomes de políticos e outras figuras com poder em todo o mundo que desviaram dinheiro para contas offshores. Era só juntar o nome de José Sócrates à mistura e os jornalistas do Correio da Manhã entravam em êxtase diário com tamanha alegria para o “jornalismo” que fazem.

Sim, é verdade. Há malta poderosa que desvia dinheiro (por vezes público) para seu próprio proveito e esconde em paraísos fiscais. Eu sei, é difícil de acreditar. Quem diria que havia corrupção hein? Aconselho um copo com água com açúcar para poder assimilar a notícia.

Agora esta malta vai sendo descoberta em listas para o Mundo acompanhar. Equivale às convocatórias que há no futebol antes dos Europeus e Mundiais: esperamos sempre os grandes nomes e ficamos desiludidos em não ver outros que também têm o talento para “desviar” e também mereciam lá estar.

Metade de Portugal nem sabia onde era o Panamá (com jeitinho ainda não sabe), mas se há portugueses envolvidos é coisa para chamar a atenção. Nunca tivemos tanta vontade de ver amigos envolvidos num escândalo. Este é daqueles que vale a pena ligar e questionar a malta “olha, por acaso não tens conta lá para os Panamás não?”.

Com a velocidade com que as listas de nomes vão saindo dentro de pouco tempo não estar envolvido vai ser algo difícil de aguentar perante a sociedade. “O Pacheco já está na lista lá da malta do dinheiro. Acho que tinha uns 500 paus lá metidos e lá entrou no sistema. Já falei com a minha velhota e pedi que a mesada fosse já para o Panamá a ver se também sou capa no Expresso”.

Pela primeira vez podes estar numa lista onde apareces por realmente teres dinheiro e não porque te estão a pedir dinheiro.


Panamá Papers: Desviar dinheiro para que se possa aprender geografia para escolher uma boa offshore.

Solitário, mas inteligente.
Belo com a dose certa de ferocidade.

Pelos trilhos dos vales, entre chuva e dias onde o sol impera ele caça solenemente.
Olhar nocturno e audição sempre hábil, capazes de fazer do caminho o seu destino.

É senhor do seu mundo, conquistando presas e passadas enquanto os anos lhe deixam algumas cicatrizes. Não o vemos queixar, é orgulhoso ao ponto de lamber as feridas em silêncio pronto para mais caçadas e deixar clara a sua marca.

Perante a polivalência do mundo ele continua a ser camaleónico e com a força de querer dominar cada sistema. Ágil, rápido, capaz e com uma investida digna de topo de cadeia alimentar. Um monstro dentro da beleza de quem o contempla.

Por entre a dentada sem piedade de quem protege e o orgulho que faz dele solitário por legado há o carinho pelas crias, sangue do seu sangue, onde rapidamente passa a lição da vida que estes jovens predadores têm pela frente.


 Na selva é dos predadores que rezam os maiores legados. A prova que algo selvagem, fixado nos seus princípios, pode conjugar em si a formosura e a fera enquanto cria as suas pisadas. Sozinho e indomesticado, como só ele sabe ser.

Quero ser o teu ódio, o pior que já tiveste.
O teu lado mais negro, o lugar mais obscuro onde só tu sabes como chegar.

Quero ser a tua imperfeição, a tua cólera, o teu rasgo inconstante, um pedaço de estilhaços partidos no chão.

Quero ser a tua perdição, o teu pensamento mais reles, quero ser papel inútil e sem nexo. O pesadelo que a tua mente tende a recriar.

O teu toque errante, o teu rol de erros na vida. A prova que errar é lição que a vida traz como recordação, o alvo de todas as tuas repreensões.

Quero ser tudo isso, mesmo que me doa, mesmo que me condene. Aceito o fardo de ser alguém com todos os defeitos, a personagem mais descabida no teu viver.

Assinarei sempre por baixo todas estas falhas, desde que me ames e não me esqueças por ser mesmo assim. Fica comigo e serás aquilo que sempre foste, a perfeição.
Eu assumo o que assino em cima.