por Daniel André Teixeira'



The train left. I lost it.
An hour until I had another … but life had a plan for that moment.

I seated on a bench in the train station, resting and hoping that time would be my friend and started running as fast as he could. Next to me there she was. She was not from around, with a book as company with the eyes that could surrender any army, european style that I saw before in my travels, a foreign charm waiting also for a train for her journey of the day.

Fearless she reach out to me with a question and that was enough. Within a few minutes we started talking like it was all planed before. Two strangers sharing opinions, laughts and experiences. Different realities bounding in one train station bench.
Like a scene from a movie we were so deeply in the conversation that we forgot that basic question that usually starts everything: “what is your name?”. That small detail came in between.

Time really did his job and ran. With a glance at the clock we saw that was time to get up and take our own path. Side by side we traded the last words until the goodbye that felt that it wasn’t the last time will we see each other … who knows right?

I lost a train, but I gain the company of a foreign beauty that made time fly.
Foi o meu “menino”, invenção de uma tarde solarenga, ideia de quem acreditou que podia criar algo diferente usando as suas ideias para o mundo ver. Como se não fosse suficiente tal loucura, outros cinco bravos juntaram-se a mim e ficaram até ao (meu) fim.

Muito mais do que palavras o Crónicas em Branco era o espelho de quem escrevia, era pedaço limpo e tela para que nós criássemos o cenário e a opinião que queríamos. Humor, seriedade, sátira e palavra feia. Armas de quem via o mundo e o dava a conhecer a seu bel-prazer. Não era projecto de massas, de autógrafos na rua ou digno de referências loucas, não tinha de o ser. Era nosso e de quem o via e isso bastava.

Apelidá-lo-ei sempre como “nosso” porque todos que estavam no painel eram importantes. Personalidades fortes, capazes, inteligentes … tinham tudo para ser os eleitos para isto. Muito ou pouco iam contribuindo, iam aceitando as loucuras de quem pedia um texto, um vídeo, algo fora do habitual. Sei que alguns alinharam pela amizade que existe, mas que não existam dúvidas que há talento latente em cada um e que está patente nas criações ao longo dos anos. Ainda tenho a determinação de os juntar à mesa para um convívio que tem tudo para ser alucinante, digno de lembranças posteriores.
Faríamos com que fosse memorável sem dúvida.

Tenho ainda aquela vontade que vem de dentro para ir rever. O que foi feito, os sketchs que mesmo sabendo os textos de cor ainda me soltam gargalhadas, o trabalho e palavras que todos fomos deixando. Alegra-me ver que, de vez em quando, uma brava alma vai e deixa mais um toque no Crónicas. Sei que se qualquer um deles tomar conta do “menino” estará bem entregue. Nada me deixaria mais orgulhoso em ver o Crónicas chegar a outro nível, mesmo eu estando do lado de fora.

A decisão de sair do Crónicas foi das mais difíceis que tomei. Senti que já não conseguia ter o mesmo peso e dar ao espaço o empurrão para o próximo passo. Foram cinco anos, criaram-se bases, mas eu já não era o “tal” para liderar. Peço desculpa se desiludi alguém com a decisão, se ficou algo a dizer ou até mesmo se a minha saída soou a repentina sem direito a voto alheio. Acreditem que foi penoso, mas necessário.
 Ele, o espaço, não morreu, e isso é o mais importante. Admito voltar, um dia, a arriscar pintar naquela tela que já foi minha e que os meus bravos estejam comigo. Talvez um dia voltemos a dar um brilho ao Crónicas, aquele que todos queríamos que ele tivesse e fazer aquilo que ainda falta mostrar ao Mundo.

Para já fica a nostalgia de quem seguiu em frente e deixou o seu “menino” bem entregue.
O ContraPonto se existe é por causa do Crónicas, foi o seguimento de uma vida, o virar de página. Um dia voltaremos a encontrar-nos, prometo.


Mais do que um estado de espírito, é quase um modo de vida.

Porque durante muito tempo me tenho vindo a sentir perdido, a ficar sem qualidades que outrora quase eram arte em mim, a sentir falta de sensações das quais não consigo passar sem ter, a deixar cair pedaços de uma personalidade que era só minha. Derrotado por várias guerras, e ainda sem plano de recuperação.

Não me sinto o mesmo. Enganar a mente e pensar que está tudo bem enquanto crias uma rotina para te desligares só funciona até te aperceberes de que o que deixaste para trás era demasiado importante. Cansar o corpo apenas te adormece e não traz de volta aquela sensação de objectivo cumprido. Escrever … bem já só serve para gritares em silêncio em momentos de acalmia.

Deixas de fazer planos, tudo te parece efémero a cada recusa. De que te vale a diferença, o toque singular que tens, o presunçoso charme único, o teu modo de estar na vida se a tua mente fala uma língua que o teu corpo não entende e não corresponde? Como se estivesses sentado perante Deus e ele se risse dos planos que fazes, como se tivesses esgotado a tua quota parte de benesses neste mundo. Sentes como se não percebesses qual o “papel” que te foi dado nisto tudo mesmo que faças tudo o que vem no guião que foste escrevendo.

Vais-te munindo do melhor que tens. Entre as batalhas e desafios que a vida nos coloca tentas fugir entre gargalhadas e momentos animados, esquecendo momentaneamente aquilo que te consome a alma. Ganhas nos campos de batalha que ainda tens, enquanto outros ainda se fecham para ti.

És assim pelo teu orgulho, pela tua vontade, pela tua vaidade interior que visa sempre o caminho para seres melhor, mais feliz. Perdido sim, mas com o querer desmesurado de não querer parar até voltar a ter o que já tive.

A vida pende sempre para ser injusta.
Uns dizem que faz parte, que traz aprendizagens e lições que a cada batalha que travas te tornam melhor.

Ter-te na minha vida provou o contrário: não sei o que é ser melhor sem te ter por perto. Num momento em que batalho por tudo nesta vida, sem esperar despojos de vencedor, sei que não consigo batalhar por ti e isso corroí-me.

Toca-me saber que não posso e não devo pensar, que seguiste em frente, que estás bem e que pareces sorrir com a vontade e felicidade que mereces. O tempo vai andando, há momentos que vão passando mas há sempre memórias que mexem quando acordo ou quando me recordo de ti. Não é algo mau, pelo contrário. És a prova que podemos estar felizes, que podemos ter alguém com quem nos revemos e podemos ser melhores.

Ainda tremo, sei que não consigo ser o mesmo se te tiver que falar, continuo refém de um sentimento que me ultrapassa. Aprendi a viver com isso, com essa sensação de estar incompleto. Com tudo o que me rodeia nem devia ter tempo para pensar direito, mas vejo-te ainda por vezes porque não tenho dúvidas que com o teu toque ou com as tuas palavras seria um guerreiro diferente.
Ganharei nesta vida, mas sei que há momentos em que a vitória vai saber a pouco, porque não temos braços para quem voltar para ser mais saborosa.

Não sou digno de te pedir atenção, porque sou de palavra como te prometi. Não faço parte da tua vida e não posso pedir para voltar. Compreendo isso e continuo assim a zelar de longe para que continues a ser a mulher que me encantou e que certamente encanta outros. Não deixamos de ser amigos, quero eu acreditar, apesar de nada ser como foi antes. Contigo aprendi, cresci, criei cicatrizes e olhei para o caminho com outros olhos, mas nunca deixei de me questionar se estavas bem, mesmo longe como ficou estabelecido entre silêncios. Talvez um dia nos sentemos de novo, para uma conversa entre sorrisos e gargalhadas, como outrora. Quem sabe ...

Faltas-me, mas sei que é pelo melhor assim.

Um som que inquieta os sentidos entre o silêncio de um pensamento.
Um timbre que teimas em querer ouvir sempre.

Mulher de ritmo, segura como uma balada que nos eleva, que nos deixa rendido. Cada palavra parece digna de pauta de uma música que não nos deixa respirar a cada passo que dá. Vai mexer contigo, rolar e acelerar a tua cabeça. Porque foi para isso que foi feita, porque não podia ser de outra maneira.

As curvas do seu corpo são como os instrumentos que dão forma à melodia que jamais vais querer largar. Como quem faz magia nas teclas de um piano, ela vai criar sons que te vão tocar, que te vai fazer sentir parte de uma sinfonia que parece feita para os dois. Queres ser o auditório que aplaude e vibra, queres ser parte daquele misto de sons que se torna intemporal.

Impossível de esquecer, constante na nossa mente.
Figura melódica, sonoridade que só apetece tocar, sentir com os nossos dedos, mas que nos é inatingível, ou não fosse quase divina.

A prova que uma melodia pode ser tudo o que pedimos dela, sem que tenha uma única palavra declamada: Bela, desejável, sedutora, uma utopia para os sentidos de um simples mortal que a ouve e a quer como sua.

Que me dizes em ser a minha melodia esta noite?