por Daniel André Teixeira'




Eles “andem” aí e não há como contornar (a sério, as vezes param em grupos e para os passar à frente é uma complicação). A febre do Pokemon Go atingiu Portugal em força. É praticamente impossível andarmos uns bons metros ou andar em transportes públicos e não vermos alguém a procurar um Pigeon ou um Charmander que de repente o GPS do telemóvel acciona.

A seguir dou alguns ContraPontos sobre o que o Pokemon Go traz para a nossa sociedade e algumas destas dicas até podem dar o seu jeito. Portanto, a saber:


  1.   Com a chegada do Pokemon Go aos telemóveis os pervertidos passam mais despercebidos. Agora há mais gente a olhar atentamente para um ecrã de telemóvel sem que se esteja a ver o Tinder, ainda que em ambos os casos se procurem muito as Pokebolas ….
     
  2. “Pokemon GO: Agora podes apanha-los todos”. Parece o lema de uma rapariga na noite.

  3. ·         O Pokemon Go promove ao seu estilo que aqueles familiares gordos surpreendam a malta e saiam por iniciativa própria da cadeira do quarto. Desta vez é para tentar apanhar um Caterpie e não para ir ao supermercado comprar batatas e RedBull para enfardar.

  4. ·         O jogo consiste em, quem tem a app, possa ver algo imaginário a capturar mas que aparece no cenário real. É como ser sportinguista e falar dos mais recentes títulos, só eles é que vêm para dar importância.

  5. ·         Com o Pokemon Go tanto homens como mulheres ganharam trunfos no que toca a gerir uma relação. No que toca aos homens surge o “Amor, vou com a malta para as Galerias de Paris para apanhar Pokemons” ou “Cheguei tarde porque o Fonseca viu que havia um Ratata num bar”. Para as mulheres fica o “Se soubesse tinha escolhido como namorado um Pokemon que soubesse evoluir” ou “És mesmo um Snorlax! Uma pessoa pensa que é fofinho mas não serve para nada”.

  6. ·         O objectivo deste jogo é capturar, evoluir e vencer outros em desafios. Ou seja, é uma relação mas com uma app em vez de ser com uma pessoa com a benesse de poder desligar o telemóvel e poder procurar noutro lado o mesmo Pokemon.

  7. ·         Apesar de ser recente já se fazem meetings de jogadores de Pokemon Go. Concentração de Motards? Isso é para meninos. Se não houver um Boulbasour envolvido nem te podes chamar de “badass” agora.

  8. ·         Há dois meses se saísses de casa e dissesses “Mãe, vou para a rua apanhar Pokemons” era logo internado. Pensa na sorte que tens agora jovem. (se bem que se não explicares bem aos teus pais não te deves safar ao internamento e dentro de paredes almofadas não devem aparecer muitos pokemons).

  9. ·         Com o Pokemon Go ganhas a oportunidade de apanhares pokemons raros em locais pouco prováveis como na auto-estrada. Ganha logo outro calibre se o tentares fazer enquanto conduzes enquanto olhas para o telemóvel. Aí ganhas um Metwo e um traumatismo craniano depois de te espetares.

  10. ·         Se o teu momento alto é quando apanhares um Pikachu e quereres entrar em histerismo entre amigos em pleno sitio público  pelo feito conseguido, pensa bem no ContraPonto nº 8. É que vai ser certinho.

  11. ·         Com isto do Pokemon Go devia ser criada uma lei que nos permitisse poder agredir fisicamente com um ferro qualquer grupo de malta jovem que, por sem motivo aparente, de repente pára para apanhar um Pokemon. O mundo, e as pessoas com vida fora de uma app, agradeciam.

  12. ·         Aguardo com alguma ansiedade que algum iluminado use isto dos Pokemons para tentar frases de engate, numa de utilizar a “trend”. Por isso espero pelos “oh jeitosa, metia-te nas minhas pokebolas que era um mimo” ou por “deves ser do tipo eléctrico, porque contigo fazia logo faísca!!”.


E assim termino o meu ContraPonto sobre toda esta moda que é os Pokemons. No decorrer da criação deste texto é coisa para já teres apanhado 3 ou 4 e ainda ter encontrado um ginásio para evoluir um Jigglypuff.


The train left. I lost it.
An hour until I had another … but life had a plan for that moment.

I seated on a bench in the train station, resting and hoping that time would be my friend and started running as fast as he could. Next to me there she was. She was not from around, with a book as company with the eyes that could surrender any army, european style that I saw before in my travels, a foreign charm waiting also for a train for her journey of the day.

Fearless she reach out to me with a question and that was enough. Within a few minutes we started talking like it was all planed before. Two strangers sharing opinions, laughts and experiences. Different realities bounding in one train station bench.
Like a scene from a movie we were so deeply in the conversation that we forgot that basic question that usually starts everything: “what is your name?”. That small detail came in between.

Time really did his job and ran. With a glance at the clock we saw that was time to get up and take our own path. Side by side we traded the last words until the goodbye that felt that it wasn’t the last time will we see each other … who knows right?

I lost a train, but I gain the company of a foreign beauty that made time fly.
Foi o meu “menino”, invenção de uma tarde solarenga, ideia de quem acreditou que podia criar algo diferente usando as suas ideias para o mundo ver. Como se não fosse suficiente tal loucura, outros cinco bravos juntaram-se a mim e ficaram até ao (meu) fim.

Muito mais do que palavras o Crónicas em Branco era o espelho de quem escrevia, era pedaço limpo e tela para que nós criássemos o cenário e a opinião que queríamos. Humor, seriedade, sátira e palavra feia. Armas de quem via o mundo e o dava a conhecer a seu bel-prazer. Não era projecto de massas, de autógrafos na rua ou digno de referências loucas, não tinha de o ser. Era nosso e de quem o via e isso bastava.

Apelidá-lo-ei sempre como “nosso” porque todos que estavam no painel eram importantes. Personalidades fortes, capazes, inteligentes … tinham tudo para ser os eleitos para isto. Muito ou pouco iam contribuindo, iam aceitando as loucuras de quem pedia um texto, um vídeo, algo fora do habitual. Sei que alguns alinharam pela amizade que existe, mas que não existam dúvidas que há talento latente em cada um e que está patente nas criações ao longo dos anos. Ainda tenho a determinação de os juntar à mesa para um convívio que tem tudo para ser alucinante, digno de lembranças posteriores.
Faríamos com que fosse memorável sem dúvida.

Tenho ainda aquela vontade que vem de dentro para ir rever. O que foi feito, os sketchs que mesmo sabendo os textos de cor ainda me soltam gargalhadas, o trabalho e palavras que todos fomos deixando. Alegra-me ver que, de vez em quando, uma brava alma vai e deixa mais um toque no Crónicas. Sei que se qualquer um deles tomar conta do “menino” estará bem entregue. Nada me deixaria mais orgulhoso em ver o Crónicas chegar a outro nível, mesmo eu estando do lado de fora.

A decisão de sair do Crónicas foi das mais difíceis que tomei. Senti que já não conseguia ter o mesmo peso e dar ao espaço o empurrão para o próximo passo. Foram cinco anos, criaram-se bases, mas eu já não era o “tal” para liderar. Peço desculpa se desiludi alguém com a decisão, se ficou algo a dizer ou até mesmo se a minha saída soou a repentina sem direito a voto alheio. Acreditem que foi penoso, mas necessário.
 Ele, o espaço, não morreu, e isso é o mais importante. Admito voltar, um dia, a arriscar pintar naquela tela que já foi minha e que os meus bravos estejam comigo. Talvez um dia voltemos a dar um brilho ao Crónicas, aquele que todos queríamos que ele tivesse e fazer aquilo que ainda falta mostrar ao Mundo.

Para já fica a nostalgia de quem seguiu em frente e deixou o seu “menino” bem entregue.
O ContraPonto se existe é por causa do Crónicas, foi o seguimento de uma vida, o virar de página. Um dia voltaremos a encontrar-nos, prometo.


Mais do que um estado de espírito, é quase um modo de vida.

Porque durante muito tempo me tenho vindo a sentir perdido, a ficar sem qualidades que outrora quase eram arte em mim, a sentir falta de sensações das quais não consigo passar sem ter, a deixar cair pedaços de uma personalidade que era só minha. Derrotado por várias guerras, e ainda sem plano de recuperação.

Não me sinto o mesmo. Enganar a mente e pensar que está tudo bem enquanto crias uma rotina para te desligares só funciona até te aperceberes de que o que deixaste para trás era demasiado importante. Cansar o corpo apenas te adormece e não traz de volta aquela sensação de objectivo cumprido. Escrever … bem já só serve para gritares em silêncio em momentos de acalmia.

Deixas de fazer planos, tudo te parece efémero a cada recusa. De que te vale a diferença, o toque singular que tens, o presunçoso charme único, o teu modo de estar na vida se a tua mente fala uma língua que o teu corpo não entende e não corresponde? Como se estivesses sentado perante Deus e ele se risse dos planos que fazes, como se tivesses esgotado a tua quota parte de benesses neste mundo. Sentes como se não percebesses qual o “papel” que te foi dado nisto tudo mesmo que faças tudo o que vem no guião que foste escrevendo.

Vais-te munindo do melhor que tens. Entre as batalhas e desafios que a vida nos coloca tentas fugir entre gargalhadas e momentos animados, esquecendo momentaneamente aquilo que te consome a alma. Ganhas nos campos de batalha que ainda tens, enquanto outros ainda se fecham para ti.

És assim pelo teu orgulho, pela tua vontade, pela tua vaidade interior que visa sempre o caminho para seres melhor, mais feliz. Perdido sim, mas com o querer desmesurado de não querer parar até voltar a ter o que já tive.

A vida pende sempre para ser injusta.
Uns dizem que faz parte, que traz aprendizagens e lições que a cada batalha que travas te tornam melhor.

Ter-te na minha vida provou o contrário: não sei o que é ser melhor sem te ter por perto. Num momento em que batalho por tudo nesta vida, sem esperar despojos de vencedor, sei que não consigo batalhar por ti e isso corroí-me.

Toca-me saber que não posso e não devo pensar, que seguiste em frente, que estás bem e que pareces sorrir com a vontade e felicidade que mereces. O tempo vai andando, há momentos que vão passando mas há sempre memórias que mexem quando acordo ou quando me recordo de ti. Não é algo mau, pelo contrário. És a prova que podemos estar felizes, que podemos ter alguém com quem nos revemos e podemos ser melhores.

Ainda tremo, sei que não consigo ser o mesmo se te tiver que falar, continuo refém de um sentimento que me ultrapassa. Aprendi a viver com isso, com essa sensação de estar incompleto. Com tudo o que me rodeia nem devia ter tempo para pensar direito, mas vejo-te ainda por vezes porque não tenho dúvidas que com o teu toque ou com as tuas palavras seria um guerreiro diferente.
Ganharei nesta vida, mas sei que há momentos em que a vitória vai saber a pouco, porque não temos braços para quem voltar para ser mais saborosa.

Não sou digno de te pedir atenção, porque sou de palavra como te prometi. Não faço parte da tua vida e não posso pedir para voltar. Compreendo isso e continuo assim a zelar de longe para que continues a ser a mulher que me encantou e que certamente encanta outros. Não deixamos de ser amigos, quero eu acreditar, apesar de nada ser como foi antes. Contigo aprendi, cresci, criei cicatrizes e olhei para o caminho com outros olhos, mas nunca deixei de me questionar se estavas bem, mesmo longe como ficou estabelecido entre silêncios. Talvez um dia nos sentemos de novo, para uma conversa entre sorrisos e gargalhadas, como outrora. Quem sabe ...

Faltas-me, mas sei que é pelo melhor assim.

Um som que inquieta os sentidos entre o silêncio de um pensamento.
Um timbre que teimas em querer ouvir sempre.

Mulher de ritmo, segura como uma balada que nos eleva, que nos deixa rendido. Cada palavra parece digna de pauta de uma música que não nos deixa respirar a cada passo que dá. Vai mexer contigo, rolar e acelerar a tua cabeça. Porque foi para isso que foi feita, porque não podia ser de outra maneira.

As curvas do seu corpo são como os instrumentos que dão forma à melodia que jamais vais querer largar. Como quem faz magia nas teclas de um piano, ela vai criar sons que te vão tocar, que te vai fazer sentir parte de uma sinfonia que parece feita para os dois. Queres ser o auditório que aplaude e vibra, queres ser parte daquele misto de sons que se torna intemporal.

Impossível de esquecer, constante na nossa mente.
Figura melódica, sonoridade que só apetece tocar, sentir com os nossos dedos, mas que nos é inatingível, ou não fosse quase divina.

A prova que uma melodia pode ser tudo o que pedimos dela, sem que tenha uma única palavra declamada: Bela, desejável, sedutora, uma utopia para os sentidos de um simples mortal que a ouve e a quer como sua.

Que me dizes em ser a minha melodia esta noite?


Duas semanas. Duas longas semanas. E duas semanas separam 10 milhões de 90min. Apelo à razão para fazer estas contas, mas à emoção quando o momento chegar. Portugal está quase a iniciar a sua caminhada no Euro 2016. Infelizmente, olho para 2004 e penso onde andará aquele sentimento que não mais senti desde então…

A 14 de junho, a nossa chama terá de ser suficiente para descongelar o frio da Islândia. No entanto, é com alguma pena que o digo: falta um pouco de Euro 2004 agora em 2016. Os tremoços e as cervejas numa mesinha que separa um grupo de amigos duma televisão de 32 polegadas. As bandeiras em cada janela, criando uma corrente de energias positivas que empurram um país inteiro para a frente. A varanda aberta. O pôr-do-sol durante um prolongamento. O festejo nas ruas como sobremesa, depois duma vitória num qualquer jogo ter servido de prato principal.

Confesso: não sei o que se passou. O futebol modernizou-se e “desclassicizou” os jogadores. Sinto saudades do carisma do Figo, das caneleiras para baixo do Rui Costa, da liderança do Ricardo Carvalho. Até da surpreendente “panenka” do Postiga, da arma secreta Nuno Gomes ou da magia de Deco. Choro mais que Eusébio, após a vitória frente à Inglaterra, quando penso que a industrialização desta arte encheu os jogadores de manias. Vivo bem com a vaidade de Ronaldo, a raça de Pepe ou o espírito altruísta de Moutinho. Mas não são cromos para a minha caderneta da Panini que eu, em criança, trocava na escola. Tampouco me passam a ideia de união, de que eu “convivo” com eles, mesmo estando deste lado da televisão.

Falta entusiasmo. Temos de trazer o “#SomosPortugal” do Facebook para o “Somos Portugal” na rua, de colocar as bandeiras na varanda novamente, de fazer soar gaitas e vuvuzelas! No fundo, talvez nos falte o grito de guerra do “Sargentão” Scolari, para abanar a estrutura na folha de papel do Eng.º Santos. Porque nem sempre o futebol é explicado, mas sim sentido, com convicção o digo: que saudades de Scolari…

Com contas iniciei e com contas terminarei este meu desabafo: será possível, nestas duas semanas que restam, regredir 12 anos para resgatar aquela “Força”, entoada pela Nelly Furtado, e trocar pela canção de embalar do Pedro Abrunhosa? Eu acho que sim.

"NOTAS DE UM KLOPP"


Está quase, sentimos a ânsia. Vamos lá estar mais uma vez. 

Em palcos franceses contamos com os nossos 23 que levam com eles a nossa vontade, esperança e querer vencer. É nestes momentos em que o futebol, por muito supérfluo que possa por vezes ser, cria um sentimento de união que é difícil de explicar.

Já passou o tempo de comentar decisões e convocatória, quando a bola rolar aqueles são os nossos para o que der e vier. Juntos e com os olhos nas TVs vamos vibrar a cada bola dividida, a cada remate que ressalte num poste ou num adversário e gritaremos com os golos que esperamos dos nossos artistas. Contamos com vocês, acreditem que levam com vocês um país que desde 2004 tem vindo a acreditar que podemos trazer o caneco e reinar na Europa. 

Mesmo que desconfiados não tenho dúvidas. De novo, como um reacender inato quando realmente gostamos, vamos encher restaurantes, esplanadas, parques, vamos munir-nos de amendoins, tremoços e aquela cerveja fresquinha que dá o combustível para que nunca nos deixemos ir abaixo. Vamos juntar os amigos e criar estádios em salas de estar e querer cantar o hino antes da bola rolar. Nós não vamos deixar de estar com vocês, só queremos a reciprocidade e a mesma fome pela vitória vinda dos relvados franceses que pisarem.

Somos um país que teima em sonhar. Somos alma, sofredora e trabalhadora e queremos espírito de conquista. Sofremos por vocês quando em 2014 vimos uma sombra do que podíamos ser num momento em que o Mundo olhava para aquilo que fomos incapazes de fazer. A Selecção é muito o espelho do que somos: um misto de experiência e juventude que junta assim a tarimba que muitos possuem com a irreverência que outros estão ansiosos por mostrar (para não falar de um tal de Cristiano Ronaldo que ostenta no braço a capitania desta nação em campo).

Está quase, sentimos a proximidade do momento.
Estaremos com vocês, ganhem por nós.

Daniel André Teixeira, ContraPonto


Sempre fui o mesmo.
Selvagem, lunático e imprevisível neste jogo da vida que é o amor.

Regras sempre foram alíneas, regulamento que me dizia pouco. O trajecto era conturbado mais ia acumulando vitórias, conquistas entre algumas cicatrizes consequentes deste jogo. Era eu e o Mundo como paisagem a desbravar para as minhas aventuras.

Por entre intermitências do meu viver apareceste tu, do nada e ao de leve como aqueles toques de consciência que a vida nos traz. Devagar conquistas um espaço que fazes teu de um jeito que me encanta. Pareces ser aquela que me sossega, me toca e me faz diferente.

Entres as corridas e curvas que tenho feito, contigo a solução parece estar mesmo ali. Fazes com que seja mais capaz, para te ver bem, para te ver sorrir. Com ritmo te vou mostrando o meu mundo e parece cada vez mais que já devias fazer parte dele. Quero caminhar contigo, criar a história que merecemos.

Toma conta de mim, não me quero perder mais. Mas se me perder que seja contigo.

Lembro-me de há dois anos atrás ter escrito um texto de semelhante identidade, para um site de futebol, olhando para uma mesma imagem. Sinto-me em pleno deja-vu.

Esta tarde o Benfica sagrou-se pela terceira vez consecutiva campeão nacional. Deixando essa comichão clubística de parte e que poderia facilmente trazer travos na boca, ou até falar do jogo da mala (que pelos vistos vai acumular para a próxima temporada), vou apenas focar-me na situação que os portistas estão a atravessar neste momento e que nos é estranha: Pelo terceiro ano não alcançamos o maior lugar do pódio.

Hoje, para quem vive o futebol e se sente portista, foi um dia ingrato.
Vencemos a última etapa ontem, logo de manhã para parecer fresco, e no dia das decisões vimos que o caneco de um modo ou de outro não sairia de Lisboa. Mais uma vez aquela corrida não foi nossa. Ao invés de atacarmos quem a percorreu e saiu vitorioso (para não falarmos também das picardias lisboetas com Jesus pelo meio), é necessário olhar para dentro e questionar se é este cenário que se vai compôr no Marquês dentro de algumas horas aquele que queremos ver no próximo ano.

Voltamos a ser suaves, pequenos na ambição, casmurros no ideal e no fim saímos no terceiro posto. Tivemos deslumbres espanhóis, um tiki-taka sem remates, estrelas sem talento para os momentos de decisão e uma passadeira em forma de defesa. Por entre pequenos encantos em vitórias em palcos importantes, o desalento e falta de querer custou-nos caro. Falhamos redondamente um ano que supostamente seria de revolução. Acabamos esta maratona com a ideia que muito está mal e que essa tal vontade de revolucionar terá de ser uma necessidade a fomentar no próximo ano.

Mesmo que ainda tenhamos uma final (imperial) para ganhar, é este o momento que temos de focar. Sou da ideia que devemos olhar para o sucesso dos outros. É olhando para o que eles fazem, perante a nossa inércia, que podemos ir buscar motivação para mostrar que somos capazes de ser melhores e estar à altura da situação (à imagem do que André Villas Boas fez no FC Porto). Nunca apelando à agressividade ou à resposta menos elegante, mas com trabalho e vontade em campo. No próximo ano tem que ser diferente: Toquem no que for necessário, mas que possamos olhar para a TV (ou ver no estádio) onze indivíduos a viver a camisola azul que ostentam. Que se dispense quem não quer, que se venda quem não sente e que se tragam aqueles que querem dar tudo pelas conquistas e vitória final.

Parabéns ao Benfica pelo campeonato amealhado e congratulações ao Sporting pelo photo finish. Mas esqueçam as ilusões de um Porto apagado. Este é um deja-vu que não queremos repetir.


Como os brasileiros dizem, “deixa pra lá”.

Esquece o trânsito, as horas de espera. O tempo de desassossego e a caminhada rotineira. Deixa de penar as horas de sono mal dormidas, as companhias mais escolhidas, os problemas de uma viagem diária que teima em assumir traços semelhantes a cada dia.

Esquece os dilemas, os problemas, as querelas e os conflitos. A falta de fome e o remoer de estomago, as preocupações que te tiram do sério. Põe de lado as pressões, os números e os avisos de cima, aqueles momentos de respiração funda de como quem só quer que aquilo termine.

Dá um descanso à tua mente e deixa passar os “nãos” que as 24h de cada dia te possam querer dar, entre as voltas que o teu cérebro vai querer dar por opções menos válidas e decisões menos correctas e que também não podem ter peso.


Tudo isto fica para depois, porque agora tudo pára.
Fica para depois porque estou contigo.


Serei o tal, aquele que te completa.

Que te vai irritar e fazer com que adores a sensação.

O toque que te reconforta, o momento ideal em forma humana, o pedaço de ti em corpo diferente que nunca vais dispensar.

Teu canto, teu desabafo, teu traço misto de emoções.

Aquele que te conforta, que não te negará os deleites que pedires e que te faz sentir como sempre quiseste que fosse.

Companheiro de toda a dança de uma vida, solo musical se fores o auditório pronto para aplaudir ao teu ímpeto.

Serei teu prazer, tua garra, teu orgulho, teu porto seguro.

Confia em mim.

Panamá Papers.
Uma fuga de informação que revela listas de nomes de políticos e outras figuras com poder em todo o mundo que desviaram dinheiro para contas offshores. Era só juntar o nome de José Sócrates à mistura e os jornalistas do Correio da Manhã entravam em êxtase diário com tamanha alegria para o “jornalismo” que fazem.

Sim, é verdade. Há malta poderosa que desvia dinheiro (por vezes público) para seu próprio proveito e esconde em paraísos fiscais. Eu sei, é difícil de acreditar. Quem diria que havia corrupção hein? Aconselho um copo com água com açúcar para poder assimilar a notícia.

Agora esta malta vai sendo descoberta em listas para o Mundo acompanhar. Equivale às convocatórias que há no futebol antes dos Europeus e Mundiais: esperamos sempre os grandes nomes e ficamos desiludidos em não ver outros que também têm o talento para “desviar” e também mereciam lá estar.

Metade de Portugal nem sabia onde era o Panamá (com jeitinho ainda não sabe), mas se há portugueses envolvidos é coisa para chamar a atenção. Nunca tivemos tanta vontade de ver amigos envolvidos num escândalo. Este é daqueles que vale a pena ligar e questionar a malta “olha, por acaso não tens conta lá para os Panamás não?”.

Com a velocidade com que as listas de nomes vão saindo dentro de pouco tempo não estar envolvido vai ser algo difícil de aguentar perante a sociedade. “O Pacheco já está na lista lá da malta do dinheiro. Acho que tinha uns 500 paus lá metidos e lá entrou no sistema. Já falei com a minha velhota e pedi que a mesada fosse já para o Panamá a ver se também sou capa no Expresso”.

Pela primeira vez podes estar numa lista onde apareces por realmente teres dinheiro e não porque te estão a pedir dinheiro.


Panamá Papers: Desviar dinheiro para que se possa aprender geografia para escolher uma boa offshore.

Solitário, mas inteligente.
Belo com a dose certa de ferocidade.

Pelos trilhos dos vales, entre chuva e dias onde o sol impera ele caça solenemente.
Olhar nocturno e audição sempre hábil, capazes de fazer do caminho o seu destino.

É senhor do seu mundo, conquistando presas e passadas enquanto os anos lhe deixam algumas cicatrizes. Não o vemos queixar, é orgulhoso ao ponto de lamber as feridas em silêncio pronto para mais caçadas e deixar clara a sua marca.

Perante a polivalência do mundo ele continua a ser camaleónico e com a força de querer dominar cada sistema. Ágil, rápido, capaz e com uma investida digna de topo de cadeia alimentar. Um monstro dentro da beleza de quem o contempla.

Por entre a dentada sem piedade de quem protege e o orgulho que faz dele solitário por legado há o carinho pelas crias, sangue do seu sangue, onde rapidamente passa a lição da vida que estes jovens predadores têm pela frente.


 Na selva é dos predadores que rezam os maiores legados. A prova que algo selvagem, fixado nos seus princípios, pode conjugar em si a formosura e a fera enquanto cria as suas pisadas. Sozinho e indomesticado, como só ele sabe ser.

Quero ser o teu ódio, o pior que já tiveste.
O teu lado mais negro, o lugar mais obscuro onde só tu sabes como chegar.

Quero ser a tua imperfeição, a tua cólera, o teu rasgo inconstante, um pedaço de estilhaços partidos no chão.

Quero ser a tua perdição, o teu pensamento mais reles, quero ser papel inútil e sem nexo. O pesadelo que a tua mente tende a recriar.

O teu toque errante, o teu rol de erros na vida. A prova que errar é lição que a vida traz como recordação, o alvo de todas as tuas repreensões.

Quero ser tudo isso, mesmo que me doa, mesmo que me condene. Aceito o fardo de ser alguém com todos os defeitos, a personagem mais descabida no teu viver.

Assinarei sempre por baixo todas estas falhas, desde que me ames e não me esqueças por ser mesmo assim. Fica comigo e serás aquilo que sempre foste, a perfeição.
Eu assumo o que assino em cima.


E se pudesses desligar a máquina que és?
Dar um tempo sem que tocasses no ritmo, na rotina, nas decisões e imperfeições da tua vida. Uma pausa na tua realidade.

Com o toque num botão podias parar o tempo, respirar e procurar a solução. O mundo parava de girar, hibernavas para poderes trocar o choro por um sorriso, a travessia no deserto por um “walking on sunshine”. Já não tinhas a aflição de uma rotina e passavas a ter o silêncio para reflectir as acções que deixam a cabeça em indefinições constantes.
Tinhas a oportunidade de poderes dar descanso ao teu poderio neste Mundo. Desligavas a torre que alimenta tudo o que és e recarregavas a energia que destilas e que faz de ti algo único em cada acontecimento.

No entanto não existe este escape. Não estamos feitos para essas pausas no tempo. Por isso desligamos de outro modo, de forma mais intimista. Saímos do Mundo sem nunca o abandonar, seja nas quatro paredes do nosso quarto, seja nas horas que passamos com os amigos e que parecem algo à parte, naqueles momentos a dois que congelam o tempo, nas viagens que fazes questão de fazer ou até mesmo quando dás tudo o que tens nos teus hobbies.

É importante que desligues a máquina. Para não a sobrecarregar, para que ela não sobreaqueça, te faça falhar ou tornar-te mais lento. Para que também possas respirar e para que o mundo veja sempre uma versão mais pronta de ti, mais eficaz, mais fiel ao que podes dar ao Mundo.


Desliga-te, para que sejas ainda melhor quando te voltares a ligar.


Começa sempre com uma página em branco.

O propósito é dar-lhe vida, um sentido, enchendo-a daquelas pequenas luzes que apelidamos de palavras.

Aí surge a responsabilidade. Como fazê-lo? Sendo ágil, astuto, feroz, cabal ou apenas descontraído com as letras? Escrever algo está longe de ser fácil e passível de ser rápido.

Nesse pedaço de papel podemos ser veículo de emoções, peças de teatro que a vida nos espelha, retrato de testemunhos ou criadores de fantasias e utopias que nos enchem a mente.

Podemos ter a arte e o engenho ou deixar a desarrumação das ideias tomar conta das letras. Temos o luxo de transmitir alegria e emoção, ou transparecer a tristeza de quem vê na escrita o modo de deixar sair a mágoa.

Tudo isto num pedaço de papel, que começou em branco.


Vamos ter muitos momentos.

De aconchego e sossego, de calor e fulgor.

Seremos um só enquanto dois corpos, seremos algo intenso num momento só nosso.
Seremos prova de entrega mútua, a vontade inscrita em cada gota de suor ou toque.
Seremos descanso após a batalha da rotina, seremos companhia de arraso da movimentada rotina. Vamos sendo o porto de abrigo um do outro num relance que o mundo desconhece que temos.

Somos sonho acordado, real e palpável.

Criamos o espaço de tempo que faz tudo o resto parar. Nada mais importa senão ter-te ao meu lado, a repousar todo o teu esplendor natural.

Vejo-te como tu és, simples, entre o calmo fechar de olhos de quem dorme e aquele olhar entre a pálpebra como quem vigia se saí do teu lado.

Tornas este momento perfeito, tudo o que podia pedir dele. Ter-te comigo assim faz todo o sentido, faz querer ser mais, faz-me perceber que assim estou completo.

Sei que terás de sair, abandonar-me depois deste nosso ensejo, mas peço-te apenas mais uma coisa antes de te afastares:

Beija-me antes de saíres e serei teu para sempre.



O mundo tem o condão de retocar certas realidades. Não pára de girar e de criar novos elementos que fazem mudar a visão de coisas que estão connosco desde que nos lembramos.

O futebol é um exemplo. Outrora olhávamos para o futebol como uma essência que não seria possível retirar. Era algo simples mas bonito, admirado por massas e alvo de atenção pela magia que trazia. Era ciência entre linhas, com mágicos a criar tácticas à frente de um banco e uns deuses de chuteiras calçadas a deslumbrar com uma bola nos pés. Cérebros, guerreiros e fantasistas: A alma de um futebol de perdição.

A realidade agora é outra. As fartas cabeleiras foram trocadas por cortes mais refinados, a bola de trapos é agora mais aerodinâmica e com outra fibra, os equipamentos agora são menos garridos e fora de tamanho onde as marcas apostam tudo para se mostrarem dentro de campo e apelar ao conforto e os génios do banco agora já vestem com outra classe onde até o mais básico fato de treino pode equipar a um fato vistoso do outro lado. Se isto é errado? Não, não é isto que condena o espectáculo na sua base, mas sim o que vigora atrás disto, os seus bastidores.

O futebol agora é mais apelativo atrás da cortina, nos gabinetes e reuniões. São senhores que pouco têm a ver com o desporto que estão detrás de jogatanas financeiras, que movem jogadores com valores astronómicos para seu interesse pessoal mesmo que esses jogadores não sejam uma mais valia para o destino traçado, que criam eventos megalómanos sem que isso tenha apreço para o desporto, exercem o seu poder para que sejam tomadas decisões como desejam, que desviam fundos para as suas contas desrespeitando toda uma história que o futebol criou.

Vivemos num tempo em que a alegria e o talento de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi seguem as pisadas de lendas de outrora que encantavam bancadas, em que Mourinho, Guardiola e Klopp são cérebros como senhores de outras décadas, em que equipas como o Barcelona faz parecer o futebol em algo geométrico e fácil de executar.
Infelizmente é o mesmo tempo em que escândalos de corrupção fazem capas mais depressa, onde os órgãos máximos não são de confiar, onde há suspeição em convocatórias, nomeações e eventos criando uma nuvem cinzenta sobre um desporto onde a essência bastava para ser notícia.


Não há solução aparente e rápida para este cancro do futebol. Dizem as mentes brilhantes que devemos focar-nos nos pontos bonitos e altos que o futebol nos traz como aquele penalti defendido e cria desespero e apoteose ao mesmo tempo, aquele frio na barriga ao ver a equipa que apoiamos a entrar em campo … talvez seja a solução para tapar alguns olhos, mas no fundo todos queremos é aquele futebol de perdição que fez criar esta nossa paixão por este desporto.