por Daniel André Teixeira'




Não podemos continuar assim, não alastremos mais uma mentira que nem consegue ser bem contada para poder soar a verdade.

Tentamos. Eu fiz tudo para olhar para ti e ver o melhor de mim e quero acreditar que deste voltas à tua cabeça para te mentalizares que eu era aquele que tu sempre quiseste contigo. Mas não é assim. Todos os sonhos que criamos, toda a imagem que tínhamos, tudo desvaneceu no tempo e nas incertezas que fomos amealhando. É complicado ter de olhar nos olhos de alguém que víamos como única e nossa e não ter a mesma empatia, o mesmo querer … o mesmo amor, como tu o defines.

Eras tu. O que eu precisava, quem eu mais queria. Era assim que pensava todos os dias. Mas depois de tudo vejo que não é justo estarmos a alongar a situação que só nos traz tristeza e nos prende a uma realidade que não existe. Já não és minha, nem eu sou teu. “É o destino, não estava escrito”, seja qual for o cliché que quisermos usar pouco vale para cobrir o momento que tem de chegar.

Dou assim o primeiro passo. Até o mundo parece mais triste, ou não fosse a chuva que reina lá fora a compactuar com os meus sentimentos. Mas não façamos disto uma façanha de Hollywood, com drama. É pelo melhor, porque mereces ser feliz daquele modo que eu vi quando nos conhecemos. Eu saio para aprender, para perceber o que pode ser melhorado. Quem sabe se o Mundo não gira e te volto a ver. Agora o mais importante é sair.

Por isso saio com o que é meu, mas deixo um pedaço meu contigo, nem que seja uma singela memória. Enfrentemos então agora a tempestade que se faz la fora, cada um com o seu abrigo. Até um dia minha princesa.



Ela ali está, para que o mundo a contemple.
Mas que se desengane os sábios de uma vida que vêem aquele corpo calmo e sereno envolto de uma vida humana, pois não há mão forte que chegue para a puxar, nem charme deste mundo que a faça descer das ondas e marés divinas onde é rainha.

É desejo de homem, é sonho de deuses.
Beleza única que nos congela, munida de um sorriso que condena noites em que só a sua imagem nos surge ao invés de um comum sono. Questiona-se assim como alguém nos pode aparecer sem que possamos tirar partido dela, como algo tão próximo nos é inatingível. É pedaço de utopia numa realidade mundana.

Porque é intocável, mulher a quem o mundo não é mais que terreno, paisagem e cenário para a sua vida. É senhora de si, que não cai nos jogos da rotina nem do engate fácil, a quem ser conquistada vai requerer mais do que flores e elogios adocicados com boas intenções. Tens de ser diferente, especial aos seus olhos para estares no seu mundo, para teres a tua chance. A hipótese de uma vida, para mexeres e fazeres parte de um mundo divino.

Se fores o escolhido vacilar não é opção. Ela abriu o seu oceano para que pudesses navegar, foste escolhido para mergulhar, para sentires as ondas do seu ser, de tocares uma essência e um ritmo, de te afogares no tempo que passas na sua companhia.
Se foste o escolhido não pares e sente o topo do Mundo. Trata o intocável como a mulher única que é, porque ter algo assim não é para o comum mortal.

Se tens o intocável ao teu lado, vive para lhe mostrar o quanto é especial ela ser assim.



Eles “andem” aí e não há como contornar (a sério, as vezes param em grupos e para os passar à frente é uma complicação). A febre do Pokemon Go atingiu Portugal em força. É praticamente impossível andarmos uns bons metros ou andar em transportes públicos e não vermos alguém a procurar um Pigeon ou um Charmander que de repente o GPS do telemóvel acciona.

A seguir dou alguns ContraPontos sobre o que o Pokemon Go traz para a nossa sociedade e algumas destas dicas até podem dar o seu jeito. Portanto, a saber:


  1.   Com a chegada do Pokemon Go aos telemóveis os pervertidos passam mais despercebidos. Agora há mais gente a olhar atentamente para um ecrã de telemóvel sem que se esteja a ver o Tinder, ainda que em ambos os casos se procurem muito as Pokebolas ….
     
  2. “Pokemon GO: Agora podes apanha-los todos”. Parece o lema de uma rapariga na noite.

  3. ·         O Pokemon Go promove ao seu estilo que aqueles familiares gordos surpreendam a malta e saiam por iniciativa própria da cadeira do quarto. Desta vez é para tentar apanhar um Caterpie e não para ir ao supermercado comprar batatas e RedBull para enfardar.

  4. ·         O jogo consiste em, quem tem a app, possa ver algo imaginário a capturar mas que aparece no cenário real. É como ser sportinguista e falar dos mais recentes títulos, só eles é que vêm para dar importância.

  5. ·         Com o Pokemon Go tanto homens como mulheres ganharam trunfos no que toca a gerir uma relação. No que toca aos homens surge o “Amor, vou com a malta para as Galerias de Paris para apanhar Pokemons” ou “Cheguei tarde porque o Fonseca viu que havia um Ratata num bar”. Para as mulheres fica o “Se soubesse tinha escolhido como namorado um Pokemon que soubesse evoluir” ou “És mesmo um Snorlax! Uma pessoa pensa que é fofinho mas não serve para nada”.

  6. ·         O objectivo deste jogo é capturar, evoluir e vencer outros em desafios. Ou seja, é uma relação mas com uma app em vez de ser com uma pessoa com a benesse de poder desligar o telemóvel e poder procurar noutro lado o mesmo Pokemon.

  7. ·         Apesar de ser recente já se fazem meetings de jogadores de Pokemon Go. Concentração de Motards? Isso é para meninos. Se não houver um Boulbasour envolvido nem te podes chamar de “badass” agora.

  8. ·         Há dois meses se saísses de casa e dissesses “Mãe, vou para a rua apanhar Pokemons” era logo internado. Pensa na sorte que tens agora jovem. (se bem que se não explicares bem aos teus pais não te deves safar ao internamento e dentro de paredes almofadas não devem aparecer muitos pokemons).

  9. ·         Com o Pokemon Go ganhas a oportunidade de apanhares pokemons raros em locais pouco prováveis como na auto-estrada. Ganha logo outro calibre se o tentares fazer enquanto conduzes enquanto olhas para o telemóvel. Aí ganhas um Metwo e um traumatismo craniano depois de te espetares.

  10. ·         Se o teu momento alto é quando apanhares um Pikachu e quereres entrar em histerismo entre amigos em pleno sitio público  pelo feito conseguido, pensa bem no ContraPonto nº 8. É que vai ser certinho.

  11. ·         Com isto do Pokemon Go devia ser criada uma lei que nos permitisse poder agredir fisicamente com um ferro qualquer grupo de malta jovem que, por sem motivo aparente, de repente pára para apanhar um Pokemon. O mundo, e as pessoas com vida fora de uma app, agradeciam.

  12. ·         Aguardo com alguma ansiedade que algum iluminado use isto dos Pokemons para tentar frases de engate, numa de utilizar a “trend”. Por isso espero pelos “oh jeitosa, metia-te nas minhas pokebolas que era um mimo” ou por “deves ser do tipo eléctrico, porque contigo fazia logo faísca!!”.


E assim termino o meu ContraPonto sobre toda esta moda que é os Pokemons. No decorrer da criação deste texto é coisa para já teres apanhado 3 ou 4 e ainda ter encontrado um ginásio para evoluir um Jigglypuff.


The train left. I lost it.
An hour until I had another … but life had a plan for that moment.

I seated on a bench in the train station, resting and hoping that time would be my friend and started running as fast as he could. Next to me there she was. She was not from around, with a book as company with the eyes that could surrender any army, european style that I saw before in my travels, a foreign charm waiting also for a train for her journey of the day.

Fearless she reach out to me with a question and that was enough. Within a few minutes we started talking like it was all planed before. Two strangers sharing opinions, laughts and experiences. Different realities bounding in one train station bench.
Like a scene from a movie we were so deeply in the conversation that we forgot that basic question that usually starts everything: “what is your name?”. That small detail came in between.

Time really did his job and ran. With a glance at the clock we saw that was time to get up and take our own path. Side by side we traded the last words until the goodbye that felt that it wasn’t the last time will we see each other … who knows right?

I lost a train, but I gain the company of a foreign beauty that made time fly.
Foi o meu “menino”, invenção de uma tarde solarenga, ideia de quem acreditou que podia criar algo diferente usando as suas ideias para o mundo ver. Como se não fosse suficiente tal loucura, outros cinco bravos juntaram-se a mim e ficaram até ao (meu) fim.

Muito mais do que palavras o Crónicas em Branco era o espelho de quem escrevia, era pedaço limpo e tela para que nós criássemos o cenário e a opinião que queríamos. Humor, seriedade, sátira e palavra feia. Armas de quem via o mundo e o dava a conhecer a seu bel-prazer. Não era projecto de massas, de autógrafos na rua ou digno de referências loucas, não tinha de o ser. Era nosso e de quem o via e isso bastava.

Apelidá-lo-ei sempre como “nosso” porque todos que estavam no painel eram importantes. Personalidades fortes, capazes, inteligentes … tinham tudo para ser os eleitos para isto. Muito ou pouco iam contribuindo, iam aceitando as loucuras de quem pedia um texto, um vídeo, algo fora do habitual. Sei que alguns alinharam pela amizade que existe, mas que não existam dúvidas que há talento latente em cada um e que está patente nas criações ao longo dos anos. Ainda tenho a determinação de os juntar à mesa para um convívio que tem tudo para ser alucinante, digno de lembranças posteriores.
Faríamos com que fosse memorável sem dúvida.

Tenho ainda aquela vontade que vem de dentro para ir rever. O que foi feito, os sketchs que mesmo sabendo os textos de cor ainda me soltam gargalhadas, o trabalho e palavras que todos fomos deixando. Alegra-me ver que, de vez em quando, uma brava alma vai e deixa mais um toque no Crónicas. Sei que se qualquer um deles tomar conta do “menino” estará bem entregue. Nada me deixaria mais orgulhoso em ver o Crónicas chegar a outro nível, mesmo eu estando do lado de fora.

A decisão de sair do Crónicas foi das mais difíceis que tomei. Senti que já não conseguia ter o mesmo peso e dar ao espaço o empurrão para o próximo passo. Foram cinco anos, criaram-se bases, mas eu já não era o “tal” para liderar. Peço desculpa se desiludi alguém com a decisão, se ficou algo a dizer ou até mesmo se a minha saída soou a repentina sem direito a voto alheio. Acreditem que foi penoso, mas necessário.
 Ele, o espaço, não morreu, e isso é o mais importante. Admito voltar, um dia, a arriscar pintar naquela tela que já foi minha e que os meus bravos estejam comigo. Talvez um dia voltemos a dar um brilho ao Crónicas, aquele que todos queríamos que ele tivesse e fazer aquilo que ainda falta mostrar ao Mundo.

Para já fica a nostalgia de quem seguiu em frente e deixou o seu “menino” bem entregue.
O ContraPonto se existe é por causa do Crónicas, foi o seguimento de uma vida, o virar de página. Um dia voltaremos a encontrar-nos, prometo.