por Daniel André Teixeira'


Porque se Lisboa é menina e moça, tu és mulher feita.

Por entre as tuas ruas de encanto único respira-se a tua personalidade, no ar dos que vivem no teu regaço há o orgulho de quem sente ser algo que em nada é igual ao resto do Mundo.
A tua gente não tem comparação. É de ideais, com a frontalidade e garra de quem não se deixa pisar, com a marca daqueles que sabem que são raça e querer e vêem no Porto o seu símbolo, o seu orgulho.
Mulheres de barba rija e homens de peito feito, a imagem já te acompanha desde sempre.

Em ti saboreia-se o cálice de uma vida, espelhado em garrafas que sustentam o vinho cuidado pelas tuas vinhas; À mesa és inigualável quando queremos o que é só teu: a francesinha. Revestes-te de diversidade, onde o Moderno encontra o Vintage e onde o luxo se encontra com o lazer mais comum. Crias o cenário para noites únicas nas tuas Galerias, mas deixas espaço para o descanso e tranquilidade nos teus Jardins num Palácio de Cristal.

Não dá para descrever como te unes de modo solene a Gaia, casamento eterno e sem par num compromisso marcado por aço e rio que é de ouro, digno das sempre eternas fotografias que quem observa tal abraço não passa sem registar.

Beleza intocável, impossível de ser retocada. Mexer em ti é heresia, atentado a tudo que essas tuas paredes que ostentas depois de tantos encontros, desencontros, amores e dissabores que viste passar.

Isto é o Porto.
E não podia ser de outra maneira.

Devo-te algo.
Não é algo palpável, que possa ser comprado como alguma lembrança comum. Devo-te o que sou.

Cresci contigo como painel de fundo, em tempos bem mais simples e fáceis desta vida. Foste testemunha do meu amadurecer, do dealbar da minha personalidade.
Fiz amigos rasgando a timidez de quem se quer aproximar, travei batalhas com a bola (sempre diferente, consoante os rasgos e furos) como arma enquanto carros, passeios, pedras da calçada, postes e portões compunham o estádio de todos os nossos dias.

Aprendi valores. A vencer, a partilhar, a ser maior, a saber perder, a engolir o orgulho em prol de algo mais forte e a saber liderar. No teu ambiente todos os conflitos saravam onde começavam. Era ali que tudo se fazia desde o partilhar de um lanche num convívio tranquilo até ao separar de dois "arruaceiros" de ego inflamado que teimavam a chamar a si o privilégio de ser o Rei do pedaço de alcatrão onde pisavam.

 Foi no teu reduto que comecei a perceber o forte encanto do lado feminino. Elas passavam inocentemente, os primeiros "olás" eram de ouro, tentavas chamar a atenção para que fosses o alvo de um simples sorriso ou aceno e via juras de amor juvenil e sem pensamento profundo cair em saco roto para que a desilusão de um "não" delas criasse a desilusão, sabor a provar por entre a beleza que desfilava.

És aprendizagem com lições únicas.
De ti vou levar sempre a escola de quem tem os seus valores vincados , de quem traz consigo os amigos de rua. Vou continuar a crescer, a somar ensinamentos mas sempre que passo pela rua que me criou não posso deixar de sorrir.
Foi lá onde tudo começou.

 
Chamo-lhe bonita. Chamo-lhe única.

Porque outros elogios simplistas e de fácil percepção são fracos de sentido e não a contemplam como ela merece.

Bonita porque sem esforço faz iluminar o espaço, faz parar o tempo, faz-te repensar a imagem do que seria uma mulher pela qual lutarias e querias estimar para o resto dos dias. Bonita como uma obra de arte que não é perceptível a todos, pedaço de céu e inferno que muitos anseiam por ter.

Assim, do seu jeito jovial que esconde uma maturidade de quem viveu o suficiente para pedir mais de quem aí vem, cria a vontade de seres mais por ela, de viver mais ao seu lado. Bonita como é tira-te o chão vestindo para arrasar em traje de gala ou apelando aos teus instintos e sentidos com uma simples blusa branca entre ganga. Vais querer imagina-la usando a tua camisola numa manhã após a sua companhia numa noite a recordar, mas não está ao alcance de todos, apenas aqueles que podem ver o brilho do seu ser.

É mulher que por entre a sua beleza intocável ri, chora, sente e sonha. É desejo de força espelhado no seu olhar e sinal de alegria na graça do seu sorriso que faz o dia ser melhor.
É encanto para estimar e mimar, amando-a mesmo na beldade das suas tempestades. Sê o que ela precisa, e ela será a beleza da tua vida.

Ela é tudo isto sendo ela apenas, sendo simplesmente bonita.






Não podemos continuar assim, não alastremos mais uma mentira que nem consegue ser bem contada para poder soar a verdade.

Tentamos. Eu fiz tudo para olhar para ti e ver o melhor de mim e quero acreditar que deste voltas à tua cabeça para te mentalizares que eu era aquele que tu sempre quiseste contigo. Mas não é assim. Todos os sonhos que criamos, toda a imagem que tínhamos, tudo desvaneceu no tempo e nas incertezas que fomos amealhando. É complicado ter de olhar nos olhos de alguém que víamos como única e nossa e não ter a mesma empatia, o mesmo querer … o mesmo amor, como tu o defines.

Eras tu. O que eu precisava, quem eu mais queria. Era assim que pensava todos os dias. Mas depois de tudo vejo que não é justo estarmos a alongar a situação que só nos traz tristeza e nos prende a uma realidade que não existe. Já não és minha, nem eu sou teu. “É o destino, não estava escrito”, seja qual for o cliché que quisermos usar pouco vale para cobrir o momento que tem de chegar.

Dou assim o primeiro passo. Até o mundo parece mais triste, ou não fosse a chuva que reina lá fora a compactuar com os meus sentimentos. Mas não façamos disto uma façanha de Hollywood, com drama. É pelo melhor, porque mereces ser feliz daquele modo que eu vi quando nos conhecemos. Eu saio para aprender, para perceber o que pode ser melhorado. Quem sabe se o Mundo não gira e te volto a ver. Agora o mais importante é sair.

Por isso saio com o que é meu, mas deixo um pedaço meu contigo, nem que seja uma singela memória. Enfrentemos então agora a tempestade que se faz la fora, cada um com o seu abrigo. Até um dia minha princesa.



Ela ali está, para que o mundo a contemple.
Mas que se desengane os sábios de uma vida que vêem aquele corpo calmo e sereno envolto de uma vida humana, pois não há mão forte que chegue para a puxar, nem charme deste mundo que a faça descer das ondas e marés divinas onde é rainha.

É desejo de homem, é sonho de deuses.
Beleza única que nos congela, munida de um sorriso que condena noites em que só a sua imagem nos surge ao invés de um comum sono. Questiona-se assim como alguém nos pode aparecer sem que possamos tirar partido dela, como algo tão próximo nos é inatingível. É pedaço de utopia numa realidade mundana.

Porque é intocável, mulher a quem o mundo não é mais que terreno, paisagem e cenário para a sua vida. É senhora de si, que não cai nos jogos da rotina nem do engate fácil, a quem ser conquistada vai requerer mais do que flores e elogios adocicados com boas intenções. Tens de ser diferente, especial aos seus olhos para estares no seu mundo, para teres a tua chance. A hipótese de uma vida, para mexeres e fazeres parte de um mundo divino.

Se fores o escolhido vacilar não é opção. Ela abriu o seu oceano para que pudesses navegar, foste escolhido para mergulhar, para sentires as ondas do seu ser, de tocares uma essência e um ritmo, de te afogares no tempo que passas na sua companhia.
Se foste o escolhido não pares e sente o topo do Mundo. Trata o intocável como a mulher única que é, porque ter algo assim não é para o comum mortal.

Se tens o intocável ao teu lado, vive para lhe mostrar o quanto é especial ela ser assim.