por Daniel André Teixeira'



... de ser o que tu precisas.

... em ser o teu segredo.

... se tiver de esperar para te ver.

... se tiver de fazer calar o mundo para sentir a tua tranquilidade.

... de ser o teu encosto.

... se for eu o silêncio que te faz repousar.

... em procurar o teu mistério.

... se os momentos contigo parecem passar a correr contra um relógio teimoso em acelerar.

... se somar milhas percorridas a teu lado.

... em ser tonto para te ver sorrir.

... se for preciso te encantar todos os dias.

... se só tiver o teu beijo no momento do adeus.

Não me importo, desde que estejas comigo.


O destino por vezes é tão curioso que nos faz pensar se não faz mesmo sentido que assim seja.
A minha estreia no banco de suplentes num jogo oficial levou-me de volta a casa. Depois de começar esta aventura longe, num clube que gentilmente me abriu as portas e acreditou em mim, eis que o calendário mostra que o primeiro passo me levaria a estar perto de onde moro, num local que conheço bem. Que rica coincidência não é?

Ali estava eu, praticamente a dois quilómetros de casa, a criar o aquecimento para os onze titulares da equipa. Na bancada surgiam amigos juntando-se àqueles que mesmo não podendo lá estar me desejaram boa sorte. Do outro lado estavam os que apelidavam de favoritos, a força maior, os que nos viam como carne para canhão para posterior festejo de conquista fácil. De volta ao balneário juntamos a equipa. Entre palestra e silêncios íamo-nos mentalizando da façanha que queríamos atingir. O tempo de falar tinha terminado, era hora de cumprimentar a malta e entrar em campo.

Chegou o momento em que me sentei e ouvi o apito do árbitro. Já não era mais dali, abdiquei de qualquer orgulho que sentia do lugar onde morava, sentia apenas do espírito imbutido do símbolo do clube que me trouxe até ali, fundido com a crença de que era possível o melhor dos desfechos. Vivi cada lance e cada momento com a máxima intensidade como quem torce por fora pelos miúdos que bravamente eram David na batalha contra Golias. Era mais um, a querer desalmadamente chocar os locais e fazer parte de algo bonito para o clube que me deixou testemunhar tal momento e que veio de longe a sonhar com o triunfo.
Lutaram com tudo o que tiveram e o tempo ia passando mostrando que no futebol o estatuto diz pouco para desespero do tal favorito que não conseguia concretizar. E de repente ... GOLO!! Jogada fantástica que termina com a bola no melhor local. Saltei do banco a gritar em uníssono tanto com os outros treinadores da equipa como os jogadores que se congratulavam pelo feito criado. Estava ali o primeiro toque, a pincelada que mostrava que aquela tarde tinha tudo para ser mágica. Era tempo de contrarelógio mas também de mostrar o poder combativo que deixava claro que o golo não tinha caído do céu. Seguiram-se momentos de ansiedade e algum sofrimento mas sempre com o levantar do banco sempre que a nossa equipa ia rumo à baliza para ampliar a vantagem.
Apito final. Na tarde de 1 de Outubro David derrotou Golias.

Vencemos e que ninguém pense que caiu como um presente sem mérito.
Houve trabalho, entrega, vontade e estudo que levou a isto e é esse conjunto de condições que fez deste triunfo uma medalha. Fomos uma equipa em todos os sentidos. Admito o ego, aquando do estudo para este jogo quando aclamei entre amigos que nesta tarde que a equipa ia ser maior e vencer, mas depois do apito final o orgulho é maior pelos guerreiros que estiveram em campo e tornaram real a minha "profecia". Esta é uma conquista que traz honra, mas que tem de servir de motivação para o que ainda vem aí. Para aqueles que não acreditavam, que já apelidavam de jogo de "saco cheio" e que a nossa suposta pequenez era desvantagem fica o resultado, fala por si.

O destino por vezes é tão curioso que nos faz pensar se não faz mesmo sentido que assim seja.
Vencemos em minha "casa", na minha estreia, num terreno que conheço bem ... e não podia ter tido melhor sabor.




Belle.

Goût simple, avec petits plaisirs.

Regardez sereine, calme.

 Tranquillité entre lignes féminines.

Présence qui vous donne envie de rester.
Réservé dans le monde, femme de peu de contact, ouvre la porte au mystère.

Enchante sans effort, avec un sourire qui réjouit.

Il est décor, le contraste qui embellit le moment.

Vous voulez en savoir plus à ce sujet, parce que la magie vous tire naturellement.

Vous aurez seulement découvrir leur monde quand elle vous donne un coup de main.

Une beauté d'un autre pays, le tout dans une femme.

Quatro da manhã.
Quarto de Hotel conceituado onde nos corredores reina o silêncio.

Lá fora a chuva cai como cenário calmo, como uma música smooth que cria uma mística que te intranquiliza. Tentas ser mais hábil que a tua consciência, mostrar que está tudo bem e que não entendes o porquê de o sono não te chegar com a naturalidade de outrora. Começas a dança de quem entre lençois roda e volta à posição inicial como quem cria um tango a sós, sabendo que esse nunca funciona.

Aí chega o momento complicado. Tudo te surge: O que fizeste de bem mas que ainda assim não dás mérito, os erros que teimam em te atormentar, as batalhas onde foste fraco e saiste derrotado, as decisões que se fossem de outro modo te mostrariam outro caminho. Lutas contra isso. Saís da cama e procuras as tuas armas, mas nem mesmo aquele licor entre as roupas que trazes na mala num copo meio cheio te saceia a alma nem te traz o peso de uma noite bem dormida. As palavras de insignificância e de revolta enchem-te a cabeça, quase que pedes um recomeço, uma segunda oportunidade de um espontâneo acontecimento onde escorregaste perante a vida, ou onde simplesmente não foste capaz de ser o melhor que podias. 

Olhas para o relógio, já mostra hora de dia "fresco" e pronto a começar, enquanto tu ainda te reviras num encosto que devagar vai vendo a nublina de uma manhã entrar pelas fendas de uma leve persiana. Nem queres acreditar que a garrafa já vai a meio, já riscaste folhas sem nexo e que mesmo assim não venceste uma consciência que te quis bem desperto quando apenas pedias descanso merecido. Já consegues antecipar o toque do despertador, aquele mecanismo que acreditaste que te iria acordar em sobressalto e que só ia servir para pedir mais dez minutos. Desligas, afinal de contas ele esta noite não tem trabalho.

Voltas a levantar-te e procurar um banho que te amoleça o corpo, visto que a alma está ainda a viver a noite cheia de idiossincrasias de uma vida cheia de recordações.
Vestes-te e relembras que vinhas procurar um escape, mas desta janela de quarto de hotel apenas vês gotas de água que caiu sem receio de um céu igualmente sem remorsos. É tempo de voltar a guardar aquela garrafa no meio de umas camisas que afinal já não vais usar por causa das manchas de vinho e aquela camisola velha com a qual ias dormir. A cada passo que dás no corredor tentas ver que aquelas horas, aqueles instantes de falta de controlo têm algo positivo. 

Instantes, devaneios de uma noite qualquer que alguém viveu.

Porque se Lisboa é menina e moça, tu és mulher feita.

Por entre as tuas ruas de encanto único respira-se a tua personalidade, no ar dos que vivem no teu regaço há o orgulho de quem sente ser algo que em nada é igual ao resto do Mundo.
A tua gente não tem comparação. É de ideais, com a frontalidade e garra de quem não se deixa pisar, com a marca daqueles que sabem que são raça e querer e vêem no Porto o seu símbolo, o seu orgulho.
Mulheres de barba rija e homens de peito feito, a imagem já te acompanha desde sempre.

Em ti saboreia-se o cálice de uma vida, espelhado em garrafas que sustentam o vinho cuidado pelas tuas vinhas; À mesa és inigualável quando queremos o que é só teu: a francesinha. Revestes-te de diversidade, onde o Moderno encontra o Vintage e onde o luxo se encontra com o lazer mais comum. Crias o cenário para noites únicas nas tuas Galerias, mas deixas espaço para o descanso e tranquilidade nos teus Jardins num Palácio de Cristal.

Não dá para descrever como te unes de modo solene a Gaia, casamento eterno e sem par num compromisso marcado por aço e rio que é de ouro, digno das sempre eternas fotografias que quem observa tal abraço não passa sem registar.

Beleza intocável, impossível de ser retocada. Mexer em ti é heresia, atentado a tudo que essas tuas paredes que ostentas depois de tantos encontros, desencontros, amores e dissabores que viste passar.

Isto é o Porto.
E não podia ser de outra maneira.